CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Leitores e leitoras, apertem os cintos da imaginação, abracem a senhora Crônica — essa senhora faladeira que toma café com metáforas e almoça ironia — porque hoje o trem azul das notícias resolveu passar apitando alto pelas curvas do dia 26 de maio de 2026.
E lá estava Aracaju… cidade que às vezes acorda parecendo uma pessoa tentando organizar a gaveta da vida e descobrindo um circo escondido atrás das meias. A polícia abriu uma porta no Centro e encontrou um bingo clandestino funcionando como se o destino tivesse virado funcionário público e distribuísse sorte com senha e carimbo. Eram 34 CPUs, uma máquina de sortear bolas e um caixa esperando o milagre da multiplicação dos números.
Parecia uma fábrica de esperança parcelada em doze vezes sem juros emocionais.
O brasileiro, coitado e genial ao mesmo tempo, às vezes olha para o azar e diz: “Hoje eu venço.” E o azar responde: “Volte amanhã, estamos em manutenção.”
A máquina sorteava bolas, mas a vida sorteava perguntas: quando foi que tanta gente começou a procurar fortuna em bolinhas girando enquanto os boletos giram mais rápido que ventilador em dezembro? O bingo fechou, mas ficou no ar aquela fumaça invisível dos sonhos rápidos. Porque há quem aposte no número 17, há quem aposte no número 42… e há quem aposte que o café vai baixar de preço.
Mas então o dia resolveu trocar o figurino.
Do salão das bolas numeradas fomos para o salão das lousas gastas.
O Senado aprovou o novo piso dos professores e, por alguns minutos, ouviu-se um som raro no Brasil: o barulho tímido da esperança tirando os sapatos para entrar. Professor — esse ser mitológico que corrige prova, educa, escuta, aconselha, imprime atividade, compra pincel do próprio bolso e ainda responde “sim, pode ir ao banheiro” cinquenta vezes por aula — recebeu mais um capítulo na novela eterna chamada valorização.
O professor brasileiro é uma espécie de equilibrista andando sobre um fio esticado entre o sonho e o contracheque.
R$ 5.130. Número bonito. Redondo. Educado. Mas professor não vive só de número; vive de respeito, giz, paciência industrial e café em estado líquido permanente. O salário sobe e junto sobe a pergunta que dança igual mosquito em noite quente: será que agora sobe também o reconhecimento?
Enquanto isso, no Peru, os palhaços foram às ruas.
E que imagem maravilhosa e perigosamente simbólica.
Palhaços protestando e comemorando ao mesmo tempo, carregando uma faixa que parecia ter sido escrita pelo departamento de ironias do universo: “Mais palhaços, menos políticos.”
Que frase cruel. Que frase engraçada. Que frase que chega rindo e senta na consciência.
Os palhaços — profissionais da gargalhada — lembraram ao mundo que fazer rir exige seriedade. E que às vezes quem usa nariz vermelho trabalha mais sério do que quem usa gravata.
No fim das contas, o dia 26 foi um grande espetáculo: bolas girando, professores esperando e palhaços ensinando.
E o mundo seguiu.
Porque maio é esse velho cronista de barba invisível: num bolso carrega um bilhete premiado, no outro um giz quebrado, e no peito uma buzina de circo.
Até amanhã, leitores.
Se o mundo continuar escrevendo com tinta de exagero, a senhora Crônica volta para contar.




