CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Sábado de Aleluia chegou vestido de promessa, mas acordou com a torneira em silêncio — e silêncio de torneira, meu amigo, é grito seco na garganta da cidade. Aracaju, que costuma se banhar de mar e esperança, hoje escova os dentes com a fé e toma banho de paciência. Quarenta mil almas sedentas, como se Moisés tivesse aberto o mar… e esquecido de fechar a caixa d’água.
O bairro Siqueira Campos virou um deserto com CEP, onde a água, essa diva líquida, resolveu fazer greve existencial. Dizem que volta às 18h — horário em que o relógio costuma mentir com elegância. Até lá, o povo improvisa: vira alquimista de balde, poeta de garrafa pet, filósofo de torneira pingando. Porque no Brasil, até a falta d’água tem senso de humor — daqueles bem sarcásticos, que ri enquanto a gente sua.
Enquanto isso, no teatro político, candidatos correm contra o relógio como baratas em dia de faxina democrática. Hoje é o último dia para vestir a camisa partidária — e como trocam de camisa! Nem jogador em final de campeonato troca tanto de lado. A ideologia virou figurino de carnaval: usa-se conforme o bloco, desde que tenha trio elétrico e voto garantido. O Brasil não escolhe candidatos; escolhe personagens num reality show chamado “Quem quer mandar?”
E lá longe, no tabuleiro inflamado do mundo, o Estreito de Ormuz respira como um pulmão apertado. O Irã, em gesto que mistura cálculo e teatro, abre passagem para navios de bens essenciais — como quem diz: “Podem passar… mas olhem por onde pisam.” O petróleo, esse sangue negro da economia, escorre na geopolítica como drama de novela: cheio de tensão, traição e suspense. O mundo inteiro prende o fôlego, porque quando o Oriente espirra, o bolso do Ocidente pega gripe.
E assim seguiu o sábado: entre a seca das torneiras, a enxurrada de promessas e o mar revolto das nações. Aleluia, dizem… mas o aleluia hoje vem com gosto de poeira, cheiro de incerteza e som de risada meio torta. Porque no Brasil — e no mundo — até a esperança precisa aprender a economizar.




