CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de Setembro de 2025
“Entre Goles, Drones e Jalecos Invisíveis”
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Boa Leitura caro(a) Leitor (a) !
O senhor sábado acordou de ressaca e resolveu brindar-nos com manchetes que parecem mais trechos de um romance surrealista, desses que misturam gargalhadas e lágrimas numa mesma página.
Em Aracaju, enquanto os vendedores de sonhos digitais faziam malabarismos em um evento de marketing, tentando convencer que o clique vale mais do que o pão, a vida real mostrava que os algoritmos ainda não sabem curar desmaios. Foi preciso o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no meio de um avião, transformar-se em médico-herói, ressuscitador de consciências adormecidas pela hipoglicemia. Um voo virou pronto-socorro aéreo. A passageira caiu como quem apaga a luz, e Padilha, com jaleco invisível, segurou a chama da vida. Médico é médico 24 horas, disse ele — e o Brasil, que já se acostumou com políticos mascarados de tudo, respirou aliviado ao ver que, pelo menos dessa vez, a fantasia era real.
Enquanto isso, na Colômbia, onze almas tombaram envenenadas por goles de metanol disfarçado em garrafas de festa. O brinde virou sentença, o copo virou caixão líquido. Barranquilla, que tantas vezes foi palco de carnaval, agora dança a coreografia fúnebre de uma embriaguez adulterada. E o mercado que deveria vender alegria virou feirante da morte. Eis aí a ironia mais ácida: brindar à vida e acabar engolido pela morte destilada.
Do outro lado do mapa, o Mar Báltico virou tabuleiro de xadrez tecnológico. Drones misteriosos sobrevoam a Dinamarca como mosquitos em noite de calor. A OTAN, nervosa, prometeu reforçar a vigilância, como se pudesse tapar o céu com redes de arame farpado. O mundo, que já tropeça em crises, agora precisa espiar insetos de ferro que não têm rosto, não têm bandeira, mas têm a ousadia de voar como corvos de mau agouro.
Ah, caro leitor, que espetáculo tragicômico: no mesmo dia em que um ministro prova que a medicina pode salvar até nos ares, a Colômbia chora os goles mortais de falsários do álcool, e a Europa treme diante de drones sem dono, fantasmas do século XXI. Tudo isso enquanto marqueteiros nos vendem a ilusão de que basta um clique para a vida se resolver.
Mas a vida, sempre ela, insiste em nos lembrar que não há algoritmo que dê conta da hipoglicemia, não há marketing que devolva a vida a quem bebeu veneno, e não há propaganda que esconda o medo de máquinas voadoras espiando nossos céus.
No fim, o dia 27 de setembro é um espelho rachado: reflete o herói improvável de jaleco invisível, o brinde que virou epitáfio e o zumbido metálico de drones que riem da nossa fragilidade. E nós, simples espectadores desse teatro, só podemos aplaudir com ironia amarga, porque rir é o último remédio contra a vertigem do absurdo.




