CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Agosto de 2025

A medalha de prata com sabor de ouro.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Agosto de 2025
Publicado em 25/08/2025 às 2:09

As manchetes do dia 24 de Agosto de 2025

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O domingo amanheceu vestido de collant brilhante, ensaiando passos de fita e arco, porque o Brasil decidiu competir não só no tablado, mas também no palco do improvável. As meninas da ginástica rítmica, embaladas por “Evidências”, aquela música que já virou hino nacional das dores de cotovelo, dançaram como quem transforma lágrima em medalha e saudade em coreografia. Prata novamente. Só 0.100 da Ucrânia, como se fosse aquele centavo que falta para completar o troco do ônibus. Mas, convenhamos: se medalha de ouro é o sol, a prata é a lua — e nossas meninas brilharam tanto que a Ucrânia deve ter pedido óculos escuros para suportar.

Enquanto a fita colorida flutuava no Maracanãzinho, em Itaporanga d’Ajuda e Siriri a água decidiu tirar férias. De 8h às 20h, os canos vão virar desertos, e o banho só será possível na imaginação. A Iguá Sergipe interrompe o abastecimento como quem fecha o bar na hora da saideira: sem aviso prévio e com sede coletiva. Quem mora lá vai ter que transformar a escassez em poesia e o balde em taça de cristal.

Já em Brasília, o ministro Dino resolveu abrir a caixa-preta das emendas parlamentares. R$ 694 milhões passeando como turistas desorientados por corredores obscuros do sistema. Um dinheiro que deveria ser ponte virou labirinto; o que deveria ser escola virou estatística; o que deveria ser hospital virou ponto de interrogação. É o Brasil transformando orçamento público em ilusionismo: cifras sobem no palco, mas na plateia ninguém as encontra.

Do outro lado do Atlântico, na Galícia, acontece a procissão dos ressuscitados: caixões carregando gente viva para agradecer à santa. Cena digna de Gabriel García Márquez: mortos que respiram, vivos que ensaiam morte, fé que brinca de travessura. Enquanto isso, aqui no Brasil, muitos políticos poderiam ser carregados nesses caixões simbólicos, não por terem escapado da morte, mas por teimarem em enterrar a esperança do povo e depois ressurgirem sorridentes em época de eleição.

Na fronteira da Colômbia, o Equador intercepta explosivos em caminhões. O mundo insiste em brincar de pólvora quando poderia estar brincando de fita e arco, como nossas meninas. É o contraste: uns fazem bombas, outros fazem coreografias. Uns estouram granadas, outros estouram aplausos.

E assim, o 24 de agosto se despede. O Brasil ficou com prata, mas em brilho ganhou ouro. O Congresso ficou com milhões suspeitos, mas em desconfiança ganhou toneladas. A Galícia carregou caixões de vivos, mas em fé carregou milagres. E o mundo, esse grande palco de ironias, segue entre explosões e apresentações, entre procissões e investigações.

No fim, resta-nos uma lição: talvez a vida não seja ganhar ou perder, mas dançar ao som da própria música, mesmo que seja “Evidências”, aquela canção que insiste em lembrar que, apesar de todas as provas em contrário, ainda acreditamos.

E acreditar, caro leitor, é a medalha invisível que nenhum tribunal, nenhuma falta d’água e nenhuma granada pode nos roubar.