CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de junho de 2025

As notícias nas entrelinhas do dia 03 de junho de 2025.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de junho de 2025
Publicado em 04/06/2025 às 8:32

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Ah, 03 de junho de 2025, que data tão aromática quanto o milho assado das barracas de festa junina e tão intrigante quanto o passo de forró de quem dança sem saber pra onde vai. Hoje, as manchetes se vestiram de matizes inusitados, entre fogueiras acesas e lençóis de fumaça que escondem mais do que clareiam.

Comecemos pelo enredo sergipano de um trambiqueiro que, como um lampião moderno, iluminava o caminho das vítimas com palavras doces, mas as deixava no escuro da conta bancária. R$ 780 mil evaporaram como balões de São João, sumidos no céu de promessas vazias. Dizem que ele vendia carros que não existiam, vendia o que não era dele – um verdadeiro vendedor de miragens, plantador de ilusão em solo fértil de desespero.

E já que o assunto é fogo, as labaredas do São João batem à porta. É tempo de soltar fogos e de soltar as línguas, de acender fogueiras e, com elas, os alertas dos bombeiros. As chamas da tradição, tão bonitas de longe, se tornam perigosas de perto: um sopro de vento e pronto, vira incêndio no coração e no terreiro. Que São João proteja as mãos descuidadas e os pés descalços que se aproximam da fogueira como mariposas apaixonadas.

E lá de Brasília, o circo político também anda pegando fogo. A deputada Carla Zambelli, que parece ter aprendido a arte de sumir como foguete junino, fugiu para Europa, virou alvo de pedido de prisão preventiva e, quem diria, de um passaporte para a Interpol. Deveria ter aprendido que não se brinca com pólvora em véspera de São João – e muito menos com a justiça, que anda meio surda, mas não completamente cega. O procurador Paulo Gonet quer bloquear até o “balaio de gato” da deputada.

E do outro lado do Equador, onde o sol também queima o juízo, a Assembleia Legislativa aprovou a instalação de bases militares estrangeiras. Ah, que ironia: enquanto a fogueira de São João é só por uns dias, a fogueira geopolítica promete labaredas bem mais duradouras. Como quem aceita dançar com o diabo em festa de largo, o Equador abriu a porta para a “cooperação internacional” – mas quem vai pagar o preço desse arrasta-pé de soldados estrangeiros?

Hoje, meu caro leitor, o mundo arde como as brasas de um arrastapé, e as manchetes dançam como balões no céu. Entre a ilusão e a pólvora, entre o fogaréu e a esperança, seguimos tentando decifrar a quadrilha das notícias. Porque, no fim, somos todos como sanfoneiros dessa ciranda: cada um com seu acorde, cada um tentando não errar a música e não queimar a mão.