CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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Habemus ironia, habemus emoção
Era 08 de maio de 2025, um dia em que o céu se vestiu de batina e a terra calçou suas sandálias da humildade… ou quase. De Roma sopraram os ventos do Espírito, e da chaminé da Capela Sistina emergiu a famosa fumaça branca — a mais famosa fumaça não poluente da história da humanidade. Habemus Papam! E eis que um norte-americano, sim, um filho do Tio Sam, Robert Francis Prevost, agora veste o anel do Pescador com o nome de Leão XIV. Um nome de rugido e realeza, como se dissesse: a selva vaticana agora fala inglês com sotaque missionário.
No seu discurso, Papa Leão (sem selva, mas com púlpito) agradeceu ao Papa Francisco e prometeu paz, justiça e evangelho. Uma tríade quase poética, quase bíblica, quase crível. Enquanto isso, do lado de cá do altar, o Brasil rezava outro terço: o da corrupção, da impunidade e das “parcerias público-privadas” que nem sempre são tão públicas e raramente são privadas de escândalos.
Sim, caros leitores, enquanto os cardeais votavam sob frescos de Michelangelo, o STF afiava suas penas para julgar Carla Zambelli, a deputada pistoleira digital que contratou hacker como quem contrata bufê de festa infantil: me vê um ataquezinho, com cobertura de escândalo e recheio de ilegalidade, por favor. A primeira turma do Supremo vai decidir se o pecado foi venial ou mortal.
E o que dizer da fraude no INSS? A Advocacia-Geral da União pediu bloqueio de R$ 2,56 bilhões de entidades que estavam mais para lobos em pele de aposentadoria. Descontaram sonhos no contracheque do povo, como se esperanças fossem títulos podres em leilão. O país do futuro segue hipotecando o presente com a calma de quem já perdeu o passado.
Enquanto isso, no sertão dos investimentos, Aracaju vira ponto de encontro entre Sergipe e Taiwan. Será que vem chip, será que vem parceria, será que vem esperança? Ou será só mais um memorando de intenções que termina no fundo da gaveta da burocracia? O evento parece promissor, mas promessa e vento têm a mesma densidade na política internacional.
Já o Ministério Público de Contas resolveu brincar de “detetive do povo”, investigando como os municípios estão gastando os recursos da concessão parcial da Deso. E há quem diga que os prefeitos andam transformando água em verba e verba em… sumiço. Milagre de Maquiavel, alquimia de gabinete. Afinal, quando a fonte é pública, todo mundo quer beber — até o sapo que nunca soube nadar.
E se a fumaça do Vaticano foi branca, a da Caxemira continua preta de luto. Civis morrem entre bombas, drones e diplomacias de pólvora. Índia e Paquistão trocam farpas que perfuram mais que palavras. O mundo assiste ao noticiário como quem vê novela: torce por um final feliz, mas sabe que o roteirista é sádico e o elenco é armado.
Entre o rugido do novo Papa e os gemidos da guerra, fica a sensação de que o mundo caminha entre dois púlpitos: o da fé e o da farsa. E nós, pobres mortais, seguimos tentando decifrar esse evangelho cotidiano que os jornais imprimem com tintas de ironia e sangue.
E que o Leão XIV rugisse também contra os lobos travestidos de cordeiros. Porque o mundo precisa, urgentemente, de santos com senso crítico. E de políticos com medo de Deus.




