CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 03 de março de 2025

A Dança triste dos Titãs e o Carnaval das Máscaras

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 03 de março de 2025
Publicado em 04/03/2025 às 14:28

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era segunda-feira de Carnaval, mas a folia da vida não toca só marchinhas e sambas-enredo. Às vezes, ela traz notas dissonantes, como um acorde rasgado em plena melodia.

Tony Bellotto, o titã das cordas, recebeu um golpe que nem o rock and roll pode prever. O câncer, esse maestro impiedoso que rege sinfonias de incerteza, o convocou para um solo inesperado. Mas Titãs são imortais, não tombam fácil, e a guitarra seguirá rugindo. Enquanto ele afina sua coragem para a batalha, o palco não ficará mudo. Alexandre de Orio entra no jogo, trazendo sua guitarra forjada no fogo do metal, porque no espetáculo da vida, o show não para – apenas muda de tom.

E enquanto a música luta para continuar, o povo sergipano cai no frevo, arrasta os pés no Bloco Rasgadinho e, entre confetes e serpentinas, esquece por algumas horas que o mundo desaba ao redor. Mas há quem prefira outra avenida: os católicos, em retiro, trocam os tambores pelos cânticos, buscando no silêncio um eco para a alma. O Carnaval é, afinal, um espelho da sociedade: uns dançam, outros rezam, todos tentam fugir – seja da rotina, dos pecados ou da realidade.

A realidade, essa dançarina sem pudor, continua sambando sobre nossas cabeças. O Corpo de Bombeiros, em tom de alerta, ensina que não é só no mar que se afoga. Há quem se perca nas ondas da imprudência, do álcool, da ganância. Afogamentos não acontecem só nas águas de Aracaju – há políticos que mergulham no lamaçal das emendas parlamentares, empresários que nadam contra a maré da transparência e governos que tentam surfar no mar revolto da economia.

Lá do outro lado do globo, Trump, em sua eterna dança protecionista, decidiu pisar no freio da globalização e puxar o frevo do “América Primeiro”. Tarifas de 25% para México e Canadá entram em vigor, e o mundo financeiro entra em crise como um folião que exagerou na bebida. As bolsas de valores, essas passistas do capitalismo, tropeçam no salto da incerteza. Enquanto isso, o Brasil tenta dar o troco nas big techs, querendo um pedaço do bolo digital – afinal, de “likes” ninguém paga conta.

E, como se a tempestade já não fosse suficiente, a China resolveu dar um puxão de orelha no Brasil. Nada de carne bovina para três frigoríficos nacionais. O dragão vermelho, sempre pragmático, fecha a boca e impõe seu próprio jejum de Carnaval. Enquanto uns fazem dieta forçada, outros engordam suas fortunas: o Bitcoin salta mais de 20% após Trump anunciar um estoque estratégico de criptomoedas. O mundo virou um grande cassino, onde até a moeda é virtual e a roleta gira no escuro.

Mas nem tudo é ilusão de ótica. O STF, em um raro momento de consenso, decidiu que dinheiro público precisa de GPS. Transparência e rastreabilidade nas emendas parlamentares – soa bonito no papel, mas será que na prática os fantasmas da velha política aceitam dançar esse ritmo?

E assim segue a folia, num eterno desfile de ironias. O Carnaval da política tem seus mascarados, o da economia tem seus malabaristas, e o da vida… ah, esse tem seus heróis e seus sobreviventes.

Que Tony vença essa batalha, que os titãs da honestidade prevaleçam, e que o samba não perca sua cadência. Porque, no final, a vida é isso: um grande palco onde ninguém sabe qual será o próximo acorde.