CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de junho de 2025
As notícias do 2º dia de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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Junho amanheceu com ares de poesia torta e promessas de scanner de alma – ou melhor, tomógrafos novinhos para o Hospital de Urgências de Sergipe, prontos para radiografar até a alma dos doentes e das dívidas. Entre exames de corpo e de consciência, o povo respira aliviado, ainda que com o coração palpitante diante de tantos bloqueios e bombas que pipocam do outro lado do mundo – e do lado de cá também, porque afinal, a vida é um campo minado.
Enquanto isso, no terreiro das escolas sergipanas, o TCE e o MPSE bateram à porta, qual fiscais de um São João fora de época, para ver se o milho da educação virou pamonha ou continua empedrado na panela do descaso. Talvez encontrem salas de aula que mais parecem quitandas, onde o saber é vendido a conta-gotas e a merenda vira história de pescador. Oxalá tragam receitas para essa educação que vive de esmola, pedindo socorro em cada beirada de lousa rachada.
Na esfera dos aposentados e pensionistas, o teatro de horrores segue em cartaz: a Justiça Federal mandou confiscar o tesouro pirata de empresas e sócios que navegaram pelos mares do INSS, saqueando a dignidade alheia. São 23,8 milhões de reais que deveriam alimentar a velhice cansada, mas foram engolidos pela gula sem fim dos tubarões de terno e gravata. Que a maré traga justiça de volta para as mãos enrugadas de quem já deu tudo ao Brasil.
E enquanto o Brasil tenta juntar os cacos do Orçamento – bloqueado em R$ 31,3 bilhões, um corte tão fundo que faz sangrar até a saúde –, a Câmara decide apertar o cerco contra quem brinca de fogueira em mato seco. As chamas não perdoam, nem a floresta nem a casa de palha dos sonhos. Seis anos de cadeia para quem teimar em incendiar o verde, mas quem vai apagar o incêndio que queima por dentro, aquele que arde no peito de um país inteiro?
No palco internacional, bombas trovejam na Ucrânia, e Zaporizhzhia treme ao som dos trovões que não pediram licença. A usina nuclear dorme um sono pesado, mas o medo é sempre um despertador incansável. Enquanto isso, na Alemanha, uma cidade chamada Eisenhüttenstadt faz anúncio de vitrine: “Venha, more aqui de graça!”. Talvez seja uma armadilha do destino, um convite à fuga da própria vida, um canto de sereia para quem sonha com refúgios que não existem.
E assim seguimos, navegando num mar de notícias, cada uma um poema de tragédia ou esperança, cada manchete uma metáfora de nossos dias. O Brasil que se dobra em labirintos, onde o dinheiro some, a saúde padece, e a esperança vira reza. Mas seguimos: cronistas, professores, sonhadores. Porque a vida é feita de metáforas, e a esperança – essa danada teimosa – ainda faz morada nos corações que resistem.




