CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de junho de 2025

As notícias do 2º dia de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de junho de 2025
Publicado em 03/06/2025 às 1:27

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

_______________________________________________________________________________________________________

Junho amanheceu com ares de poesia torta e promessas de scanner de alma – ou melhor, tomógrafos novinhos para o Hospital de Urgências de Sergipe, prontos para radiografar até a alma dos doentes e das dívidas. Entre exames de corpo e de consciência, o povo respira aliviado, ainda que com o coração palpitante diante de tantos bloqueios e bombas que pipocam do outro lado do mundo – e do lado de cá também, porque afinal, a vida é um campo minado.

Enquanto isso, no terreiro das escolas sergipanas, o TCE e o MPSE bateram à porta, qual fiscais de um São João fora de época, para ver se o milho da educação virou pamonha ou continua empedrado na panela do descaso. Talvez encontrem salas de aula que mais parecem quitandas, onde o saber é vendido a conta-gotas e a merenda vira história de pescador. Oxalá tragam receitas para essa educação que vive de esmola, pedindo socorro em cada beirada de lousa rachada.

Na esfera dos aposentados e pensionistas, o teatro de horrores segue em cartaz: a Justiça Federal mandou confiscar o tesouro pirata de empresas e sócios que navegaram pelos mares do INSS, saqueando a dignidade alheia. São 23,8 milhões de reais que deveriam alimentar a velhice cansada, mas foram engolidos pela gula sem fim dos tubarões de terno e gravata. Que a maré traga justiça de volta para as mãos enrugadas de quem já deu tudo ao Brasil.

E enquanto o Brasil tenta juntar os cacos do Orçamento – bloqueado em R$ 31,3 bilhões, um corte tão fundo que faz sangrar até a saúde –, a Câmara decide apertar o cerco contra quem brinca de fogueira em mato seco. As chamas não perdoam, nem a floresta nem a casa de palha dos sonhos. Seis anos de cadeia para quem teimar em incendiar o verde, mas quem vai apagar o incêndio que queima por dentro, aquele que arde no peito de um país inteiro?

No palco internacional, bombas trovejam na Ucrânia, e Zaporizhzhia treme ao som dos trovões que não pediram licença. A usina nuclear dorme um sono pesado, mas o medo é sempre um despertador incansável. Enquanto isso, na Alemanha, uma cidade chamada Eisenhüttenstadt faz anúncio de vitrine: “Venha, more aqui de graça!”. Talvez seja uma armadilha do destino, um convite à fuga da própria vida, um canto de sereia para quem sonha com refúgios que não existem.

E assim seguimos, navegando num mar de notícias, cada uma um poema de tragédia ou esperança, cada manchete uma metáfora de nossos dias. O Brasil que se dobra em labirintos, onde o dinheiro some, a saúde padece, e a esperança vira reza. Mas seguimos: cronistas, professores, sonhadores. Porque a vida é feita de metáforas, e a esperança – essa danada teimosa – ainda faz morada nos corações que resistem.