CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de junho de 2026
Publicado em 21/06/2026 às 8:42

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo resolveu desfilar de salto alto sobre um tapete de cascas de banana. Em Sergipe, a tal lavagem de dinheiro parecia mais uma lavanderia cinco estrelas: entrava um trocado de chinelo e saía uma Lamborghini perfumada, um Camaro penteado, joias reluzentes e relógios tão caros que até o tempo cobrava aluguel para passar neles. O dinheiro, esse danado, tomou banho de espuma, passou perfume francês e tentou convencer a Justiça de que nascera em berço de ouro. Mas a polícia apareceu com o sabão da lei e descobriu que nem todo brilho é estrela; às vezes é apenas purpurina tentando esconder a poeira da ganância.

Enquanto isso, a política, essa atriz veterana do teatro nacional, mais uma vez subiu ao palco distribuindo suspense. Operações, investigações, manchetes e discursos dançavam um forró desafinado, onde cada sanfona puxava a melodia para um lado e o cidadão, coitado, tentava descobrir quem estava tocando e quem estava apenas fingindo segurar o triângulo. A verdade, essa moça tímida, continuava escondida atrás da cortina, esperando a hora de entrar em cena.

Lá longe, do outro lado do planeta, a paz fez o papel de turista desavisada. Mal desembarcou, arrumou a mala para ficar, mas as bombas, ciumentas e mal-educadas, mandaram a tranquilidade pegar o primeiro voo de volta. A guerra é um incêndio que nunca aprende a respeitar a chuva; transforma lágrimas em rios e esperanças em fumaça. É o relógio da humanidade atrasando justamente quando todos sonham em chegar ao futuro.

No fim das contas, o planeta parece um grande circo onde alguns exibem carros milionários, outros colecionam manchetes, muitos carregam cicatrizes e quase todos pagam ingresso sem querer assistir ao espetáculo. Ainda assim, a esperança insiste em gargalhar. Ela é teimosa como um passarinho que constrói ninho em poste de alta tensão. E talvez seja essa a maior riqueza que ainda não conseguiram lavar, bloquear, sequestrar ou apreender: a capacidade de acreditar que um dia o ouro da honestidade valerá mais do que qualquer Lamborghini estacionada na garagem da vaidade. Afinal, carro de luxo impressiona os olhos; caráter, esse sim, acelera o coração.