CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram o jornal e vamos para a leitura da crônica deste domingo, 07 de junho de 2026.
O domingo acordou vestido de chita, chapéu de palha e sorriso matuto. Em Sergipe, a Quadrilha Junina Século XX entrou no terreiro da vida dançando mais do que ponteiro de relógio atrasado em dia de São João. Levantou poeira, levantou aplausos, levantou a autoestima e, se deixassem, levantava até o telhado do arraial. Foi campeã do Levanta Poeira 2026 e agora levará o nome sergipano para o Festival de Quadrilhas da Globo Nordeste. O povo comemorou tanto que até as estrelas do céu pareciam balançar de um lado para o outro em formação de quadrilha. A sanfona sorriu, o triângulo gargalhou e a zabumba bateu no peito da noite como quem dizia: “Sergipe continua sabendo transformar chão em palco e poeira em ouro.”
Mas nem só de forró vive o domingo. No futebol, o destino resolveu dar uma entrada dura, sem nem tomar cartão amarelo. Wesley, titular da Seleção Brasileira, sofreu uma lesão e ficou fora da Copa do Mundo. Foi como se alguém apagasse uma das lâmpadas da festa bem na hora da quadrilha começar. O torcedor brasileiro olhou para o céu e perguntou: “Logo agora?” O universo respondeu com aquele silêncio típico de juiz que não marca pênalti. Entra Éderson, sai Wesley. O futebol, esse poeta maluco que escreve versos com chuteiras, mais uma vez mostrou que seus capítulos são escritos com tinta de surpresa e lágrimas de torcedor.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, o mundo continuou brincando perigosamente com fósforos ao lado de barris de pólvora. Israel e Irã trocaram ameaças e ataques, ignorando apelos por calma. Parece que alguns líderes mundiais colecionam bombas como crianças colecionavam figurinhas. A paz, coitada, anda igual passageiro esperando ônibus em dia de chuva: molhada, cansada e esquecida no ponto. O planeta gira pedindo diálogo, mas muitos insistem em responder com foguetes. E cada explosão é um grito que atravessa continentes, lembrando que a humanidade ainda não aprendeu que a guerra é uma fábrica especializada em produzir viúvas, órfãos e arrependimentos.
Assim terminou este domingo. Entre o brilho das quadrilhas, a tristeza dos gramados e o barulho dos canhões, a vida continuou seu desfile de contradições. Num canto, o povo dança forró. Noutro, o torcedor lamenta. Mais adiante, nações brigam como vizinhos teimosos disputando a sombra da mesma árvore. E nós seguimos caminhando, porque viver é exatamente isso: dançar quando a sanfona toca, resistir quando a dor aparece e nunca perder a esperança de que um dia a humanidade troque os mísseis por abraços e as guerras por festas juninas.
Porque, no fim das contas, o mundo seria muito melhor se fosse governado por sanfoneiros em vez de generais.
E haja forró para espantar tanta loucura. Afinal, quem dança quadrilha dificilmente encontra tempo para fabricar guerra.




