CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu com cara de quarta-feira cansada, dessas que bocejam juros e espreguiçam greves.
Na Universidade Federal de Sergipe, os técnicos cruzaram os braços — não por preguiça, mas por dignidade em modo avião. Era como se a engrenagem invisível da educação tivesse decidido fazer silêncio, um silêncio barulhento, desses que gritam mais alto que buzina em engarrafamento de promessa política. E lá estavam eles, firmes, lembrando ao governo que acordo não é poesia concreta: é para ser cumprido, não interpretado.
Enquanto isso, o Brasil vestiu terno de empresário e foi ao altar do megawatt casar-se com o futuro — um casamento arranjado com 19 gigawatts de energia e um dote de bilhões. Um verdadeiro chá de panela elétrica, onde as hidrelétricas e termelétricas brindavam com taças de volts, prometendo luz até quando o vento faltar e o sol fizer greve também. Ironia das ironias: até a natureza agora precisa de plano B.
No mercado financeiro, a taxa Selic resolveu descer um degrau — tímida, quase pedindo licença, como quem entra atrasado numa sala de aula. Caiu para 14,75%, mas já avisou: “Não se animem demais.” A guerra lá fora sopra como vento quente no ouvido da economia, lembrando que o mundo é uma panela de pressão sem manual de instruções.
E por falar em guerra, o maior porta-aviões do mundo virou personagem de comédia involuntária: um incêndio na lavanderia — sim, na lavanderia! — tirou o gigante de circulação. Eis o retrato perfeito da humanidade: construímos monstros de aço capazes de atravessar oceanos e, no fim, somos derrotados por um curto-circuito entre sabão e orgulho.
Assim segue o mundo, meu caro leitor:
um país em greve, outro em guerra, outro em leilão —
e todos, absolutamente todos, tentando não tropeçar nos próprios cadarços da história.
No fundo, a vida é isso:
um grande teatro onde a energia falta, o juros cochila, o trabalhador grita e o gigante pega fogo na área mais doméstica possível.
E a gente?
A gente ri…
porque, se não rir, a realidade vira um drama sem intervalo — e ninguém merece viver num espetáculo onde até o absurdo perdeu a vergonha de ser normal.




