CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Senhoras e senhores leitores deste grande jornal imaginário chamado vida, abram bem os olhos e segurem o café — porque o mundo hoje amanheceu parecendo uma feira livre cósmica, daquelas em que se vende de tudo: pepino político, tomate geopolítico e abacaxi institucional do tamanho de um cometa.
Comecemos por Sergipe, essa pequena estrela no mapa do Brasil, onde Aracaju e São Cristóvão brigam por um pedaço de chão como dois irmãos discutindo quem herdou a rede da varanda da avó. A Justiça Federal, com sua toga que parece um guarda-chuva contra tempestades jurídicas, disse:
— “Aracaju, minha filha, devolva a bola para São Cristóvão.”
E Aracaju, meio contrariada, respondeu:
— “Eu recorro!”
E assim segue o campeonato jurídico mais longo que campeonato de dominó em praça pública.
Enquanto isso, Sergipe mostra ao Brasil que a verdadeira ONU da democracia popular são as feiras livres.
Sim, senhor!
Em 99% dos municípios sergipanos há feiras — o que significa que, se o planeta acabar amanhã, ainda vai ter um feirante gritando:
— “Olha a macaxeira fresquinha! Promoção do fim do mundo!”
A feira é o parlamento do povo, onde o tomate discute com a cebola e o freguês debate com o preço da banana. Ali se decide mais coisa do que em muito gabinete com ar-condicionado.
Mas nem tudo são cores de manga madura. Em Aracaju, um homem enfrenta meningite meningocócica, lembrando que a vida às vezes sopra ventos frios mesmo nos dias de sol. Felizmente, dizem os médicos que ele reage bem — e que a ciência segue lutando como um goleiro em final de campeonato.
E se em Sergipe a disputa é por território, em Brasília o medo é de língua solta.
Nos corredores do poder, políticos do centrão parecem galinhas em galinheiro com raposa por perto, preocupados com a possibilidade de que o banqueiro Daniel Vorcaro resolva cantar mais que galo em madrugada eleitoral.
Porque delação premiada, caro leitor, é como abrir guarda-chuva em tempestade de lama: alguém sempre acaba todo respingado.
No cenário internacional, o mundo resolveu brincar de barril de pólvora com fósforo aceso. O petróleo voltou a ultrapassar 100 dólares depois de ataques no Estreito de Ormuz. Navios atingidos, tensão crescendo, e o preço da gasolina já começa a olhar para o bolso do brasileiro com aquele sorriso malicioso de vilão de novela.
E lá do outro lado do planeta, Kim Jong-un aparece com a filha assistindo teste de míssil, como se fosse pai levando a menina para ver fogos de artifício na festa da cidade.
— “Filha, isso aqui é só um míssil intercontinental. Coisa simples.”
O mundo virou um circo nuclear, onde alguns líderes brincam com foguetes enquanto o resto da humanidade tenta pagar o boleto do gás.
No fim das contas, o planeta Terra segue girando como um velho carrossel político, rangendo nas engrenagens da história, enquanto nós — pobres passageiros — seguramos firme no cavalo de madeira chamado esperança.
E amanhã, quando o sol nascer sobre Sergipe, a feira vai abrir de novo, o café vai ferver, o mundo vai continuar suas trapalhadas monumentais…
E nós seguiremos aqui, rindo, pensando e resistindo.
Porque, no fundo, o Brasil é uma grande feira livre chamada democracia: barulhenta, caótica, cheia de gente gritando…
mas viva.
E enquanto houver feira, café quente e povo teimoso, a esperança não fecha a barraca.




