CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O domingo amanheceu com o céu de Sergipe de cara fechada, como um velho sanfoneiro que acordou sem café. As nuvens, gordas e pesadas, marchavam em fila, e a chuva desceu com o passo firme de quem não pede licença — bateu em telhado, tamborilou em janela, escorreu pelas ruas como rios improvisados.
Em Maruim, Japaratuba, Neópolis, Carira, Feira Nova… a água parecia escrever poemas apressados no chão. E quando um muro caiu em Porto da Folha, foi como se a cidade tivesse perdido um dente — um pedaço da paisagem arrancado pela força invisível do tempo. Em Aracaju, trovões rugiam como leões de bronze, e relâmpagos riscavam o céu como assinaturas nervosas da natureza.
Mas enquanto a chuva exagerava na dose, no campo da região sudoeste de São Paulo a preocupação era outra. O agricultor olhava para as uvas como um pai aflito olhando para um filho febril. Não pode chuva demais, não pode frio demais, não pode sol demais… a lavoura virou uma espécie de equilibrista, caminhando na corda bamba do clima, enquanto o mundo lá fora parece ter perdido o controle do termostato.
E os cientistas avisam: as cidades vão esquentar mais, como panelas esquecidas no fogo. O asfalto ferve, o concreto transpira, e o homem moderno descobre que plantou prédios onde deveria ter plantado sombra.
Enquanto isso, o mundo lá fora continua girando como um carrossel meio desgovernado. No Líbano, um prédio desabou e a dor caiu junto com o concreto. Cada escombro ali é um grito preso, uma história interrompida, um retrato de família que não terá mais moldura.
Na política internacional, renúncias, eleições e discursos surgem como peças de um xadrez jogado por mãos invisíveis. No Irã, palavras são lançadas como pedras no lago da diplomacia. Na Tailândia e no Japão, as urnas falam, e a democracia, essa senhora de voz rouca, continua tentando ser ouvida em meio ao barulho do mundo.
E em Cuba, a terra tremeu. Tremor de 5,5… parece pouco no papel, mas é suficiente para lembrar que o chão, esse velho companheiro que julgamos imóvel, também tem seus espasmos, seus nervos, suas inquietações.
No fim das contas, este domingo foi como um livro de páginas molhadas: chuva, calor, tremores, quedas, vitórias e incertezas. A vida, essa escritora teimosa, continua rabiscando o mundo com tinta forte, sem pedir opinião de ninguém.
E nós… seguimos leitores dessa crônica gigante chamada realidade, tentando rir para não chorar, tentando entender o que muitas vezes só se sente.
Porque viver, meus amigos, é como caminhar sob um céu de tempestade: às vezes a gente se molha, às vezes se assusta com o trovão… mas sempre continua andando, esperando que, depois da última nuvem, apareça um pedaço de sol.




