CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, caro(a) leitor e leitora, como foi o dia de vocês? Espero que tenha sido ótimo. Respire fundo, ajeite a cadeira da alma, sirva um café (ou um chá de paciência) e vamos pra leitura da crônica de hoje — porque o dia 03 de fevereiro de 2026 acordou falante, irônico, emotivo e com vontade de filosofar de chinelo.
Começamos por Japaratuba, esse celeiro da cultura sergipana onde o tempo mistura passado, presente e futuro num balaio só. Teve início a Jornada Pedagógica 2026, e a cidade, de repente, virou sala de aula ampliada, quadro-negro do tamanho da esperança. O tema — “Letramentos Múltiplos e Alfabetização como base para a formação integral” — soou como poesia pedagógica. Era como se as letras saíssem dos livros, esticassem as pernas e dissessem: “chega de ficar presas em páginas, queremos formar gente inteira”. Professores e gestores caminharam como jardineiros da palavra, regando ideias, adubando futuros, tentando convencer o amanhã de que educação não é gasto, é investimento com juros de humanidade. O primeiro grande ato do ano letivo começou ali, com cheiro de caderno novo e barulho de sonho sendo aberto.
Mas o dia, esse dramaturgo sem diploma, mudou o tom do roteiro e nos levou ao mar. Lá estava Astro, o peixe-boi de 34 anos, uma espécie de Dom Quixote aquático, lutando contra moinhos de hélices. Mais de 30 acidentes nas costas — ou melhor, nas cicatrizes. Astro carrega no corpo um mapa da imprudência humana, uma autobiografia escrita a golpes de motor. Recentemente atropelado mais uma vez, ficou gravemente ferido, como quem insiste em sobreviver mesmo quando o mundo parece conspirar contra. A médica veterinária alertou: risco crítico, infecção à vista, perigo imediato. E o mar, silencioso cúmplice, parecia perguntar: até quando a pressa vai passar por cima da vida? Astro não fala, mas ensina. Ensina que resistência não é escolha, é instinto. E que a humanidade, às vezes, precisa aprender com quem não tem voz, mas tem fôlego.
Enquanto isso, em Brasília, a política resolveu brincar de fogão aceso. O Senado aprovou o programa “Gás do Povo”, garantindo botijão gratuito para famílias de baixa renda. O gás, esse item tão básico quanto o arroz e o feijão, virou símbolo de dignidade. Porque não há cidadania possível com panela vazia e fogo apagado. O programa já existia, mas agora ganhou carimbo oficial — como se a pobreza precisasse sempre de autorização para continuar respirando. Ainda assim, é um alívio ver a chama acesa, mesmo que seja preciso lembrar aos poderosos que fome não espera trâmite burocrático.
E quando achávamos que o dia já tinha dito tudo, Cuba resolveu congelar a pauta — literalmente. A temperatura caiu a 0°C, a mais baixa da história do país. Frio histórico em meio a uma crise econômica profunda. O termômetro despencou como a paciência do povo, e o vento gelado parecia soprar ironias geopolíticas. O frio não veio sozinho: trouxe a sensação de que o mundo anda desregulado, como relógio quebrado que marca horas erradas, mas insiste em continuar funcionando. Cuba, acostumada ao calor do Caribe, acordou vestida de inverno, como quem diz: até o clima perdeu a noção do lugar.
E assim foi o dia 03 de fevereiro de 2026: professores semeando futuro, um peixe-boi desafiando a morte, o gás tentando cozinhar dignidade e o frio congelando certezas. Um dia que riu de nervoso, chorou de empatia e pensou de forma crítica. Porque viver, meus caros leitores e leitoras, é isso: interpretar o mundo enquanto ele insiste em improvisar.
Até a próxima crônica — se o clima permitir, se o mar respeitar e se a educação continuar sendo nossa melhor metáfora de esperança.




