CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Fevereiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Fevereiro de 2026
Publicado em 03/02/2026 às 7:56

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Fevereiro abriu os olhos no dia 02 como quem acorda com ressaca de manchete. Espreguiçou-se bocejando notícias, tropeçou no próprio calendário e saiu distribuindo absurdos com cheiro de ironia recém-passada. O mundo, esse velho malandro, resolveu brincar de feira-livre: de um lado, perfume importado sem CPF; do outro, botijão de gás com esperança embrulhada; ao fundo, o mar da Polônia vestindo sobretudo e congelando até a metáfora.

Comecemos pela BR-101, km 104, São Cristóvão — um trecho que virou alfândega improvisada do destino. A PRF e a Polícia Civil puxaram o freio de mão da ilegalidade e abriram o porta-malas do espanto: 223 produtos sem comprovação fiscal, como se o carro fosse uma farmácia clandestina com aroma de duty free. Havia eletrônicos querendo ligar o mundo, perfumes tentando maquiar a consciência e medicamentos querendo bombar músculos e silêncios. Botox incluso — porque até a ilegalidade anda preocupada com rugas. O veículo parecia um carnaval de contrabando: cada item sambando fora do compasso da lei, todos sem ingresso, todos querendo desfilar.

O cheiro era sensorial: mistura de colônia importada com suor de nervosismo, clique de aparelho desligado com sussurro de seringa. A lei, personificada, entrou de luvas e lupa, dizendo “chega” com voz de sirene educada. E a ironia piscou: enquanto uns tentam esticar a pele do rosto à força, a realidade insiste em enrugar o país inteiro.

Corta para Brasília, onde a Câmara vestiu terno de compaixão e aprovou a MP do botijão de gás gratuito. Foram 415 votos a favor — um coral afinado cantando “alívio” —, 29 contrários — um murmúrio desafinado —, duas abstenções tímidas e 66 cadeiras vazias, essas personagens invisíveis que sempre faltam quando o gás acaba. O botijão virou metáfora doméstica da dignidade: não aquece só feijão, esquenta a noite, derrete a vergonha, ferve a esperança. Agora o texto segue para o Senado, esse forno onde as ideias assam devagar e às vezes queimam. Que não falte gás político para cozinhar justiça.

E, enquanto isso, a Europa tremeu. O norte da Polônia viu o mar congelar, cena rara como promessa cumprida. O oceano, cansado de tanto aquecimento global, resolveu fazer greve de ondas e virou espelho de gelo. A -22ºC, até a água aprendeu a ficar dura. Peixes pensaram duas vezes antes de filosofar. O vento virou escultor e o frio assinou a obra. A natureza, sempre irônica, deu aula prática: quando a gente esquenta demais o planeta, ele responde com extremos — ora febre, ora calafrio.

Assim, fevereiro seguiu seu desfile: contrabando maquiado, política aquecendo panela vazia, mar congelando poesia. O dia ensinou que o mundo anda querendo botox na ética, gás na dignidade e casaco para a consciência. Entre perfumes sem nota e botijões com propósito, entre gelo no mar e fogo no fogão, fica a reflexão que cutuca: legalidade não é luxo, dignidade não é favor, e a natureza não é figurante.

Fecho a crônica com pausa e suspiro. Porque, no fundo, o dia 02 de fevereiro pediu menos maquiagem e mais verdade; menos ausência e mais presença; menos gelo no coração e mais chama no prato. E que fevereiro, esse mês curto e atrevido, aprenda a ser longo em humanidade.