EDUCAÇÃO

O uso de tirinhas para trabalhar com crianças e adolescentes com TEA (F84.5) nível 1 e nível 2

O uso de tirinhas para trabalhar com crianças e adolescentes com TEA (F84.5) nível 1 e nível 2
Publicado em 15/06/2025 às 16:17


Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE


Resumo

Este artigo discute o uso pedagógico de tirinhas como ferramenta facilitadora no processo de ensino-aprendizagem de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especificamente nos níveis 1 e 2 (classificação F84.5). Através da linguagem visual e textual das tirinhas, é possível desenvolver habilidades comunicativas, cognitivas, sociais e emocionais. A proposta valoriza a acessibilidade, a ludicidade e a personalização das estratégias educacionais, promovendo inclusão e autonomia no ambiente escolar.


1. Introdução

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), está registrado sob o código F84.5, que abrange o autismo atípico. Já na CID-11 e no DSM-5, os indivíduos com TEA são classificados em níveis de suporte: nível 1 (necessita de pouco suporte) e nível 2 (necessita de suporte substancial). O desafio para educadores e profissionais da saúde é encontrar estratégias que respeitem as particularidades desses estudantes, promovendo o desenvolvimento de suas potencialidades.

Entre os recursos pedagógicos disponíveis, as tirinhas — pequenas histórias em quadrinhos com linguagem acessível e estrutura sequencial — destacam-se por sua capacidade de combinar imagens e textos simples para ensinar, comunicar e estimular.


2. As tirinhas como recurso educativo

As tirinhas são narrativas curtas que apresentam personagens, enredos e mensagens em poucos quadros. Por seu caráter visual e linguagem objetiva, tornam-se instrumentos eficazes para captar a atenção e facilitar a compreensão de crianças e adolescentes com TEA. São recursos multimodais que podem ser adaptados conforme o nível de suporte necessário ao estudante.

Benefícios das tirinhas no contexto do TEA:

  • Organização visual: ajuda a compreender sequências lógicas e causa-efeito.
  • Previsibilidade: favorece a segurança emocional e o entendimento de rotinas.
  • Desenvolvimento da linguagem: estimula a leitura, a fala e a interpretação de expressões.
  • Incentivo à interação social: permite trabalhar situações do cotidiano e normas de convivência.
  • Expressão de sentimentos: favorece a identificação e nomeação de emoções.

3. Aplicações práticas em sala de aula

Para crianças e adolescentes com TEA níveis 1 e 2, o uso das tirinhas pode ser direcionado para:

  • Compreensão de situações sociais: por meio de histórias que simulem interações, regras e comportamentos esperados.
  • Rotinas escolares: tirinhas que expliquem o que vai acontecer durante o dia ajudam na antecipação e reduzem a ansiedade.
  • Trabalho com emoções: personagens que expressam alegria, tristeza, raiva, medo, facilitam o reconhecimento emocional.
  • Autonomia e autocuidado: tirinhas que mostram como lavar as mãos, guardar materiais ou pedir ajuda.
  • Estímulo à criatividade: os estudantes podem criar suas próprias tirinhas com apoio visual e mediação do professor.

4. Adaptação e acessibilidade

É essencial adaptar o conteúdo à realidade de cada estudante. As tirinhas podem ser:

  • Coloridas ou em preto e branco, conforme o nível de estímulo necessário.
  • Com letras maiores ou pictogramas para facilitar a leitura.
  • Impressas ou digitais, possibilitando uso em tablets e quadros interativos.
  • Produzidas com os próprios alunos, tornando-se instrumentos de protagonismo e valorização pessoal.

5. Considerações finais

As tirinhas são ferramentas pedagógicas versáteis, econômicas e eficazes no ensino de crianças e adolescentes com TEA (F84.5), especialmente nos níveis 1 e 2. Ao permitir o aprendizado por meio de imagens, humor e narrativa, elas contribuem para o desenvolvimento da comunicação, da cognição e das relações interpessoais. Mais do que recursos didáticos, as tirinhas tornam-se pontes para o entendimento do mundo e para o florescimento de habilidades essenciais à inclusão social e escolar.


Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista, tirinhas, inclusão, educação especial, comunicação visual, TEA nível 1 e 2.