Poesia
Rapsódia do Verbo Rarefeito
Em léxicos esquecidos, um torvelinho de prístinas palavras,
Onde o vórtice do silêncio, em seus antediluvianos ecos, brada.
Deslizam pela espiral da aurora as epifanias fugidias,
Como efêmeros halteres de um idioma que já não se pronuncia.
Oh, alma díspar, que entre prados esbraseados em absinto flutua,
Nas ansas da intempérie do efêmero, qual áugure que perpetua.
É o orvalho que se tinge de âmbar e argento,
Enquanto na lonjura, a penumbra é um sacrário em tormento.
Eis que o léxico se transmuta em harpas intangíveis,
Na escuridão refulgem palavras irredutíveis.
Vasto espelho de águas insólitas e translúcidas,
Reverbera o ignoto dos dias, em metáforas translúcidas.
Cada palavra um palimpsesto de anelos ausentes,
Transeuntes do éter, em domínios inconsistentes.
Entre a púrpura do crepúsculo e o silêncio inconfesso,
Desvela-se o verbo em seu fulcro, entre o vasto e o regresso.
Não é poesia para quem sorve do raso,
Mas para os que buscam no arcano o acaso.
E assim, de vocábulos esquecidos ergue-se o templo,
Onde o silêncio canta e o eco é o exemplo.
Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE




