POESIA

A Ressurreição do Poeta

A Ressurreição do Poeta
Publicado em 11/06/2026 às 1:48

Nas catacumbas da alma jazia o poeta esquecido,
como um astrolábio antigo pelo tempo consumido;
sob o velame da noite, em silêncio sepulcral,
dormia entre crisálidas de um sonho abissal.

Mas a aurora, tecedeira de rubicundas claridades,
descerrou os escaninhos das mortas saudades;
e o verbo, qual fênix vestida de ouro e carvão,
reacendeu seus círios no claustro do coração.

Das alcândoras do espírito vieram cantos siderais,
como arcanjos navegando por oceanos celestiais;
e a lira enferrujada, outrora muda e sem vigor,
floresceu como um jardim regado por esplendor.

O poeta ergueu-se então das cinzas da solidão,
trazendo nos olhos a púrpura da contemplação;
sua voz era um cometa rasgando a amplidão,
e seus versos, catedrais erguidas pela inspiração.

As palavras, alabardas contra a sombra e o esquecimento,
rompiam as muralhas do estéril desalento;
cada rima era um turíbulo exalando luz e ardor,
incensando os corredores do mistério e do amor.

E desde então caminha pelas veredas do infinito,
semeando constelações no terreno mais aflito;
pois quem ressurge da noite com a alma em combustão,
faz da própria poesia sua eterna ressurreição.