POESIA
Poema – Franciscus, Luminar da Compaixão
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Na abóbada celeste dos espíritos justos,
Ergueu-se o pontífice de verbo arcangélico,
Francisco — o humilde, o franciscano, o místico —
Cujas sandálias pisaram com ternura os abismos do mundo.
Foi arauto da misericórdia incondicional,
Exalando um ethos de epifania crística,
Entre silêncios contemplativos e discursos metonímicos,
Convocando cardeais e crianças ao ágape do perdão.
Sua voz, melíflua e peremptória,
Fustigava os vendilhões da fé mercantilizada,
Anatematizava os dogmas da ganância institucional
Com uma doçura erudita e revolucionária.
Teólogo de uma ortodoxia subversiva,
Dilatou os confins da Igreja além da cúria eclesial,
Fazendo da Praça de São Pedro uma ágora universal,
Onde ateus, pobres e refugiados encontravam abrigo sem exegese.
Sob sua tiara metafórica de simplicidade,
Habitaram as utopias de Assis,
A esperança de uma teocracia da ternura,
E a luta contra a misantropia sistêmica dos poderosos.
Hoje, ao soar das sinetas celestiais,
Francisco adentra a eternidade litúrgica,
Com a batina tocada pela aurora da santidade,
E os olhos banhados pela lágrima escatológica dos bem-aventurados.
Sua ausência não é ausência, mas transfiguração.
Seu legado é um palimpsesto de luz e ética.
E enquanto houver injustiça clamando por redenção,
Um sopro franciscano há de reverberar nos confessionários do mundo.
Requiescat in pace, Papa do povo, do sul, do céu —
Tu que foste verbo encarnado em compaixão.




