POESIA
Poeira
Na dança leve da tarde silente,
O pó suspenso em véu reluzente,
Flutua etéreo, no ar indiferente,
Segredos sussurrados pelo poente.
Cada grão, memória esquecida,
Rastro do tempo, cicatriz da vida.
Cem histórias em um só fragmento,
Sopro do vento, guardião do momento.
No feixe de luz que corta o vazio,
A poeira é chama, é o frio do estio.
É o eco de passos em solo perdido,
Um rastro de ontem, um sonho partido.
Desce suave, a casa emoldura,
Toca as coisas com sua ternura.
No caos do mundo, ordem encontra,
Cobre as dores, mas nunca afronta.
Oh, poeira, irmã da brisa tardia,
Testemunha muda da melancolia.
És eterna, no efêmero que és,
Renasces no nada, sem amarras, sem fé.
E no fim, quando o dia se esvai,
Sob o manto de estrelas que o céu atrai,
És poeira também, no espaço dispersa,
Verso perdido, no poema do universo.
Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE




