POESIA

Ingratidão

Ingratidão
Publicado em 04/04/2025 às 1:20

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

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És tu, Ingratidão, quimera dissimulada,
que dança na penumbra das consciências dormidas,
feita de névoas e silêncios,
filha bastarda da conveniência e do esquecimento.

Serpente astuta de escamas polidas,
enroscas-te no peito que outrora te abrigou,
destilas o fel da indiferença
em cálices de porcelana emocional.

Foste hóspede em meus dias diáfanos,
devorando manjares de afeto e candura,
mas partiste em surdina,
deixando apenas o eco da tua ausência apunhalante.

Tens a verve dos abutres,
que só pousam sobre a ossatura daquilo que lhes serviu,
deglutindo memórias com a sofreguidão de um niilista.

Finges não recordar os alicerces que te ergueram,
e nas sendas da altivez postiça,
cospes sobre as mãos que te entrelaçaram no abismo.

És a orquídea de beleza espúria,
que floresce no jardim do egoísmo,
ornamentando a deslealdade com pétalas de hipocrisia.

No tribunal das emoções,
serias ré sem defesa,
acusada de dilacerar vínculos com bisturis invisíveis.

Mas que saibas, ó espectro de ingratidão,
que os que por ti foram coroados de espinhos,
erguerão castelos sobre a dor,
e tu…
tu fenecerás no esquecimento —
teu único e merecido epitáfio.