POESIA
Epifania Momesca
Oh, bacante e dionisíaco febril,
Que em histriônica apoteose se faz febril,
Carnaval! Arcádia profana, utopia carmim,
Onde o tempo se descalça e dança sem fim.
Na ágora de máscaras e líricos delírios,
Serpenteiam foliões em jactâncias e martírios,
Reis e plebeus na égide do mesmo brio,
Tecendo auroras de loucura em ebriez e cio.
Cetra a batida, retumba no chão,
Pelejas de surdos, estribilhos em uníssona erupção,
A rua transborda em lídimos êxtases,
Vibrátil babel de frenéticos enlaces.
Evoé, Momo! Tange teu cetro lascivo,
Rege este império efêmero e altivo,
Onde o orbe ordinário em glosas se esvai,
E o tempo, embriagado, esquece o que vai.
Pavoneiam-se sonhos em plumas etéreas,
Sinestesias de brilhos e rimas misérias,
Enquanto os pés descalços em ritos profanos,
Desafiam cronos, sibilam arcano.
Mas ai! Que após a luxúria e o bramido,
O eco dos tambores jaz esquecido,
E finda a folia, feito aurora inconstante,
Só resta o silêncio… e a saudade exangue.
Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
02 de março de 2025




