CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O palco da vida, no dia 13 de setembro de 2025, abriu as cortinas como um teatro trágico-cômico: atores sem ensaio, figurinos rasgados e aplausos comprados. Sergipe começou a peça com um número de ilusionismo: 17 pessoas viraram corretores de imóveis de araque e distribuíram sonhos falsos como quem vende terreno na Lua com vista para Saturno. Três golpes por mês, como se fosse assinatura de streaming de tragédias, e ainda com episódios especiais: prejuízos de R$ 28 mil e R$ 30 mil. A casa própria virou casa dos horrores. No tablado da malandragem, os golpistas são Shakespeare com diploma de pilantragem, e os compradores, coitados, plateia que pagou ingresso para ver a própria desgraça.
Enquanto isso, a UFS lança concurso com salário de R$ 13 mil, uma fortuna no país onde professor da educação básica sobrevive com o troco do pão e o fiado do mercadinho. Parece piada pronta: a universidade convoca doutores com caneta dourada, mas as escolas públicas ainda usam giz quebrado. A ironia é que a educação superior paga em ouro e a educação básica paga em pó de giz — como se o saber tivesse hierarquia de mercado.
Japaratuba amanheceu em luto: um homem chamado Hidelberto, apelidado de Arthur Bispo, foi encontrado morto. O nome, carregado de destino, ecoa como metáfora cruel — um bispo tombado no tabuleiro da vida, onde o xeque-mate não vem do xadrez, mas da lâmina. A rua João de Deus virou palco de silêncio: paredes testemunhas, chão ensanguentado, e a morte gritando. A cidade inteira hoje chora em compasso lento.
Entre lágrimas e esperança, a Avosos fala de câncer infantojuvenil e o SUS anuncia vacina contra bronquiolite. É como se a vida dissesse: “um golpe de foice no peito, mas também uma flor nascendo na fresta da calçada”.
E a política? Ah, o circo continua. Datafolha mostra 54% contra a anistia de Bolsonaro e 50% defendendo sua prisão. A Justiça agora parece novela mexicana: capítulos intermináveis, lágrimas de crocodilo e mocinhos que nunca chegam. O ex-capitão, condenado a 27 anos, é personagem que insiste em transformar a cadeia em palanque.
Na Argentina, um piano silenciado em 1976 voltou a soar: encontraram o corpo de Francisco Tenório Cerqueira Júnior, desaparecido às vésperas do golpe militar. Um músico que virou silêncio forçado, agora ressuscitado pelo toque frio das impressões digitais. A memória é cruel: leva décadas para devolver ao palco um artista sequestrado pela escuridão da ditadura.
Em Brasília, o Senado aprovou novas regras para cartões corporativos. Agora, ao invés de gastar escondido, será preciso publicar o extrato. A plateia aplaude, mas duvida: quem garante que não maquiarão as faturas como maquiagem barata de palhaço?
Do outro lado do Atlântico, 100 mil em Londres protestaram contra imigrantes. Ironia amarga: um país que colonizou meio mundo agora não suporta meia dúzia batendo na porta. É o colonialismo com amnésia seletiva.
E a guerra? A Rússia mostra mísseis que chegam a Londres em cinco minutos, Trump escreve cartas como se fosse carteiro da discórdia, Maduro convoca venezuelanos para aprender a atirar, e o Caribe vira tabuleiro de xadrez nuclear. O mundo parece um videogame com líderes jogando sem tutorial, cada um testando se o botão vermelho é mesmo de desligar ou só de reiniciar.
Para terminar, um delírio futurista: a Albânia nomeou a primeira ministra de IA do mundo. Diella, a robô-burocrata, vai decidir sobre licitações. A promessa é acabar com corrupção — como se o problema fosse humano demais para resistir a algoritmos. Só espero que, quando der erro de sistema, não privatizem até os sonhos.
O dia 13 de setembro não foi calendário, foi colcha de retalhos: fios de tragédia, manchas de sangue, pontos de esperança e bordados de ironia. A vida, neste teatro sem ensaio, continua soprando a mesma lição: entre os golpes dos falsos corretores, as mortes sem resposta, os salários dourados e as guerras de brinquedo, resta-nos aprender a rir do absurdo e chorar com poesia. Porque viver é isso: rir para não enlouquecer, chorar para não endurecer, e escrever para não esquecer.




