CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de Setembro de 2025
Publicado em 14/09/2025 às 4:34

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O palco da vida, no dia 13 de setembro de 2025, abriu as cortinas como um teatro trágico-cômico: atores sem ensaio, figurinos rasgados e aplausos comprados. Sergipe começou a peça com um número de ilusionismo: 17 pessoas viraram corretores de imóveis de araque e distribuíram sonhos falsos como quem vende terreno na Lua com vista para Saturno. Três golpes por mês, como se fosse assinatura de streaming de tragédias, e ainda com episódios especiais: prejuízos de R$ 28 mil e R$ 30 mil. A casa própria virou casa dos horrores. No tablado da malandragem, os golpistas são Shakespeare com diploma de pilantragem, e os compradores, coitados, plateia que pagou ingresso para ver a própria desgraça.

Enquanto isso, a UFS lança concurso com salário de R$ 13 mil, uma fortuna no país onde professor da educação básica sobrevive com o troco do pão e o fiado do mercadinho. Parece piada pronta: a universidade convoca doutores com caneta dourada, mas as escolas públicas ainda usam giz quebrado. A ironia é que a educação superior paga em ouro e a educação básica paga em pó de giz — como se o saber tivesse hierarquia de mercado.

Japaratuba amanheceu em luto: um homem chamado Hidelberto, apelidado de Arthur Bispo, foi encontrado morto. O nome, carregado de destino, ecoa como metáfora cruel — um bispo tombado no tabuleiro da vida, onde o xeque-mate não vem do xadrez, mas da lâmina. A rua João de Deus virou palco de silêncio: paredes testemunhas, chão ensanguentado, e a morte gritando. A cidade inteira hoje chora em compasso lento.

Entre lágrimas e esperança, a Avosos fala de câncer infantojuvenil e o SUS anuncia vacina contra bronquiolite. É como se a vida dissesse: “um golpe de foice no peito, mas também uma flor nascendo na fresta da calçada”.

E a política? Ah, o circo continua. Datafolha mostra 54% contra a anistia de Bolsonaro e 50% defendendo sua prisão. A Justiça agora parece novela mexicana: capítulos intermináveis, lágrimas de crocodilo e mocinhos que nunca chegam. O ex-capitão, condenado a 27 anos, é personagem que insiste em transformar a cadeia em palanque.

Na Argentina, um piano silenciado em 1976 voltou a soar: encontraram o corpo de Francisco Tenório Cerqueira Júnior, desaparecido às vésperas do golpe militar. Um músico que virou silêncio forçado, agora ressuscitado pelo toque frio das impressões digitais. A memória é cruel: leva décadas para devolver ao palco um artista sequestrado pela escuridão da ditadura.

Em Brasília, o Senado aprovou novas regras para cartões corporativos. Agora, ao invés de gastar escondido, será preciso publicar o extrato. A plateia aplaude, mas duvida: quem garante que não maquiarão as faturas como maquiagem barata de palhaço?

Do outro lado do Atlântico, 100 mil em Londres protestaram contra imigrantes. Ironia amarga: um país que colonizou meio mundo agora não suporta meia dúzia batendo na porta. É o colonialismo com amnésia seletiva.

E a guerra? A Rússia mostra mísseis que chegam a Londres em cinco minutos, Trump escreve cartas como se fosse carteiro da discórdia, Maduro convoca venezuelanos para aprender a atirar, e o Caribe vira tabuleiro de xadrez nuclear. O mundo parece um videogame com líderes jogando sem tutorial, cada um testando se o botão vermelho é mesmo de desligar ou só de reiniciar.

Para terminar, um delírio futurista: a Albânia nomeou a primeira ministra de IA do mundo. Diella, a robô-burocrata, vai decidir sobre licitações. A promessa é acabar com corrupção — como se o problema fosse humano demais para resistir a algoritmos. Só espero que, quando der erro de sistema, não privatizem até os sonhos.

O dia 13 de setembro não foi calendário, foi colcha de retalhos: fios de tragédia, manchas de sangue, pontos de esperança e bordados de ironia. A vida, neste teatro sem ensaio, continua soprando a mesma lição: entre os golpes dos falsos corretores, as mortes sem resposta, os salários dourados e as guerras de brinquedo, resta-nos aprender a rir do absurdo e chorar com poesia. Porque viver é isso: rir para não enlouquecer, chorar para não endurecer, e escrever para não esquecer.