POLÍTICA

Bolsonaro pode apoiar Jorginho Mello para presidência em 2026

Bolsonaro pode apoiar Jorginho Mello para presidência em 2026
Publicado em 03/03/2025 às 23:02

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE


A política, em sua essência, deveria ser um campo de ideias e projetos, mas no Brasil, muitas vezes, transforma-se em um ringue onde o ego e a fidelidade cega superam qualquer compromisso com o progresso do país. O episódio recente envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro é a mais nova demonstração de como a lealdade, na cartilha bolsonarista, vale menos do que um palanque vazio.

Tarcísio, um dos principais aliados de Bolsonaro, ousou reconhecer um mérito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a construção do Túnel Santos-Guarujá, um projeto de grande relevância para a infraestrutura paulista e nacional. Elogiar um adversário político por uma decisão acertada deveria ser um gesto natural em qualquer democracia madura. Mas, para Bolsonaro, reconhecer um acerto do “inimigo” é uma traição imperdoável.

Nos bastidores, a reação foi imediata e previsível: Bolsonaro já cogita descartar Tarcísio como seu candidato na corrida presidencial de 2026, caso ele próprio não possa concorrer. O nome que surge como alternativa? Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, um político que nunca foi cogitado para disputar o Planalto e cuja principal credencial é sua adulação quase infantil ao ex-presidente.

A Escolha do Servilismo em Detrimento da Competência

Jorginho Mello, um nome apagado no cenário nacional, não é lembrado por grandes feitos administrativos, mas sim por ser o governador mais submisso ao bolsonarismo. Se há uma fila de bajuladores dispostos a se sacrificar politicamente por Bolsonaro, Jorginho certamente está na primeira posição. E é essa característica que o torna “apto” aos olhos do ex-presidente para ser um potencial candidato.

O critério de Bolsonaro para escolher sucessores não é a capacidade de gestão, a visão de futuro ou a competência administrativa. É a devoção incondicional a sua figura, mesmo que isso signifique ignorar políticos com maior potencial eleitoral e administrativo, como Tarcísio.

O ex-presidente, ao agir assim, demonstra que seu objetivo nunca foi fortalecer uma nova liderança dentro da direita, mas sim manter o controle absoluto sobre seus seguidores, mesmo que isso signifique jogar fora um aliado que ele próprio colocou no cenário político nacional.

Bolsonaro se Encolhe, Tarcísio se Expande

Enquanto Bolsonaro insiste em medir políticos pelo grau de bajulação que prestam a ele, Tarcísio se distancia desse jogo pequeno. Ele tem um dos governos mais bem avaliados do país, com investimentos recordes em infraestrutura e segurança pública. Seu reconhecimento da importância do Túnel Santos-Guarujá mostra maturidade política, algo que Bolsonaro, acostumado ao sectarismo, não tolera.

O tempo dirá qual será o desfecho dessa disputa. Mas se Bolsonaro continuar descartando aliados por não se curvarem o suficiente a ele, seu espaço político tende a se reduzir. O Brasil precisa de líderes que governem para todos, não de políticos que apenas servem a um chefe ressentido.