POLÍTICA - GEOPOLÍTICA

A Moeda do BRICS: O Gigante que Pode Redesenhar a Geopolítica Econômica Mundial

A Moeda do BRICS: O Gigante que Pode Redesenhar a Geopolítica Econômica Mundial
Publicado em 22/07/2025 às 19:01

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE – 22/07/2025

A possível criação de uma moeda única pelo grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem provocado debates acalorados em corredores diplomáticos, fóruns econômicos e entre analistas internacionais. Caso se concretize, essa nova moeda não apenas simbolizaria um avanço na integração entre os países emergentes, como também representaria uma ameaça real à hegemonia do dólar e, em médio ou longo prazo, até mesmo ao euro.

Combinando economias que somam mais de 40% da população mundial e cerca de 25% do PIB global, os BRICS têm força produtiva, território, recursos naturais e uma crescente influência geopolítica. A proposta de criar uma moeda comum surge como resposta à dependência do sistema financeiro dominado pelos Estados Unidos e pelo dólar, usado amplamente em transações internacionais, reservas cambiais e precificação de commodities.

Se bem estruturada, lastreada em uma cesta de moedas nacionais ou em recursos estratégicos como petróleo, ouro ou mesmo commodities alimentares, a moeda do BRICS poderia se tornar uma alternativa viável e confiável. Com isso, muitos países do Sul Global poderiam começar a realizar suas transações comerciais sem a necessidade de converter para o dólar, o que diminuiria a exposição às sanções unilaterais e à volatilidade das decisões do Federal Reserve.

Quanto ao euro, que há décadas se firmou como símbolo de coesão econômica na Europa, a moeda do BRICS poderia sim, com o tempo, rivalizar em peso e importância, principalmente se o bloco continuar a se expandir e incluir países como Argentina, Irã, Egito e Arábia Saudita, o que ampliaria ainda mais sua influência.

Não se trata apenas de economia, mas de geopolítica. A criação de uma moeda do BRICS seria um passo firme rumo à multipolaridade financeira, desafiando a velha ordem centrada no Ocidente. A força dessa moeda dependerá de fatores como estabilidade política dos membros, confiança mútua, políticas macroeconômicas coordenadas e, acima de tudo, vontade política de romper com padrões históricos.

Em resumo: se o BRICS criar uma moeda sólida, bem planejada e com amplo apoio internacional, ela poderá se tornar mais forte que o euro e enfraquecer gradualmente a força imperial do dólar. O mundo estaria diante de uma nova arquitetura econômica global, mais descentralizada, mais diversa e – talvez – mais justa para os países do Hemisfério Sul.