CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Julho chegou de chapéu novo, perfumado de esperança, batendo palmas na porta do calendário como quem diz: “Posso entrar?” Entrou. Mas encontrou a sala da humanidade tão bagunçada que até o relógio pediu férias e o bom senso saiu pela janela carregando uma mala de indignação. Ah, mundo! Tu és um circo onde os palhaços, às vezes, esquecem que o nariz vermelho não esconde a falta de juízo.
Enquanto uns soltam balões de sonhos, outros resolveram lançar drones carregados de celulares e drogas sobre um presídio. O progresso tecnológico, que nasceu para aproximar corações, ganhou diploma de entregador do absurdo. Se continuar assim, qualquer dia os pombos-correio entrarão com ação trabalhista por concorrência desleal. O drone virou cegonha do crime, distribuindo “presentes” que fariam até as grades corarem de vergonha. A cadeia olhou para o céu e deve ter pensado: “Nem as nuvens têm mais paz!”
No outro palco, o Senado abriu uma janela para que servidores públicos possam atuar como microempreendedores individuais. A notícia chegou vestida de oportunidade, mas também carregando uma mochila cheia de perguntas. Afinal, quando a porta da esperança se abre, a da responsabilidade precisa abrir junto. O Brasil é um país tão criativo que, às vezes, transforma burocracia em novela, papelada em floresta e carimbo em atleta olímpico, de tanto correr de um balcão para outro.
E, do outro lado do oceano, a França viu a seca apertar o pescoço das plantações de beterraba. O açúcar, esse poeta dos cafés da manhã e das festas de aniversário, começou a fazer pose de joia rara. Até o cafezinho parece ter cochichado para a colher: “Pegue leve, minha filha, estou ficando artigo de luxo.” O sol, exagerado como um político em época de eleição, resolveu fazer hora extra e esqueceu que até a Terra precisa respirar.
Julho nasce lembrando que a esperança é uma árvore teimosa: continua florescendo mesmo quando o vento insiste em arrancar suas folhas. Entre drones desgovernados, leis debatidas e lavouras sedentas, a vida segue equilibrando-se na corda bamba do destino. E nós, pobres passageiros desse trem chamado humanidade, seguimos rindo para não enferrujar a alma, sonhando para não empobrecer o coração e acreditando que, um dia, o bom senso deixará de ser notícia extraordinária para voltar a ser apenas… rotina.




