CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de janeiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos fazer a leitura com carinho da crônica.
Com calma, como quem sopra a poeira do tempo sobre um retrato antigo, porque as notícias — essas criaturas inquietas — pedem colo antes de pedirem opinião.
O dia 12 amanheceu com cheiro de pipoca misturado a maresia, desses que confundem o nariz e a alma. Em Aracaju, o cinema abriu sessões extras para O Agente Secreto, recém-batizado com o perfume dourado do Globo de Ouro. O filme virou peixe grande em aquário pequeno: entrou manso, saiu gigante. As cadeiras rangiam de expectativa, os olhos piscavam como faróis, e o WhatsApp da bilheteria virou confessionário de ansiedade coletiva. A arte, quando vence, não anda — ela corre. E corre tanto que pede sessão extra para não tropeçar no próprio aplauso. 🎬
Enquanto isso, o Rio São Francisco, velho sábio de barba d’água, resolveu ensinar uma lição prática sobre equilíbrio. Um barco naufragou porque o medo correu para o mesmo lado. O susto tem pés apressados e cérebro curto. Todos de colete salva-vidas, graças a Deus, todos vivos — mas o rio anotou em sua caderneta líquida: pânico é peso extra. O São Francisco, personificado em professor severo, bateu o sino da aula: “a vida flutua melhor quando a gente não corre junto com o medo”.
No tablado da economia, o Banco Master encenou um drama de tribunal: defesa com bala de festim e risco de ricochete. O TCU, com a gravata do tempo e o olhar clínico, sinaliza que o Banco Central pode sair do palco com a razão nos bolsos. A metáfora é clara: quando a estratégia mira o próprio pé, o gatilho vira professor de anatomia. Ironia hiperbólica? Talvez. Mas há tiros que não fazem barulho — fazem jurisprudência.
E lá fora, no teatro geopolítico onde os holofotes nunca esfriam, Trump anunciou tarifas como quem fecha a porta com força para ver quem treme do lado de fora. Vinte e cinco por cento de imposto para quem flertar com o Irã. O mundo, esse salão de baile nervoso, ficou contando pistaches, ureia e uvas secas como se fossem passos de valsa. O Brasil, convidado que dança olhando o relógio, pode sentir o puxão no braço da economia. Tarifas são cercas: não impedem o vento, mas mudam o caminho das folhas.
Assim, o dia 12 caminhou em ritmo sincopado — cinema em festa, rio em lição, banco em suspense, planeta em tensão. As notícias, todas juntas, sentaram à mesa da sensibilidade humana e pediram café forte. Entre o riso e o susto, entre a arte que salva e o medo que pesa, ficou a reflexão: viver é aprender a distribuir o peso, escolher o lado certo do barco, pagar ingresso para o que eleva e imposto para o que ensina.
E que amanhã venha com sessões extras de empatia, coletes de lucidez e tarifas menores para a esperança. Porque o mundo já é caro demais quando falta humanidade.




