CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de junho de 2025
Publicado em 18/06/2025 às 13:35


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Respeitável público leitor,
Puxem a lona do tempo, acendam o picadeiro da realidade e preparem o coração, pois o espetáculo tragicômico da terça-feira, 17 de junho de 2025, está prestes a começar! O circo da vida armou sua tenda em Sergipe, Buenos Aires, Washington e até nas labaredas de Estância.

A primeira cena é embalada por triângulos e zabumbas: o turismo em Sergipe dança forró com a economia, como quem troca passos sob uma lua cheia de esperança. A fogueira da cultura arde alto, aquecendo pousadas, enchendo bares e colorindo sorrisos. Mas cuidado: em tempos de pão seco, qualquer balão vira promessa de milagre. E milagre, no Brasil, só se for de São João ou de marketing político.

Enquanto o povo pinga suor de alegria, duas estrelas caem do céu jornalístico: Mônica Pinto e André Barros silenciam suas vozes em meio ao barulho do mundo. A pena que escrevia se deita. A lente que captava se apaga. Perdemos não só dois profissionais, mas dois faróis numa estrada de manchetes cada vez mais confusas. Que a eternidade lhes seja uma boa edição.

A seguir, o ato das chamas: Estância virou carvão em partes, num incêndio que devorou a casa, mas não feriu ninguém. O fogo, sempre dramático, entra como personagem coadjuvante nesse teatro de perdas. A casa queimada é metáfora do Brasil: madeira antiga, estrutura frágil e uma faísca de descaso vira desespero em minutos. Mas a manchete termina com alívio: ninguém ficou ferido. Ainda bem. Nem toda tragédia precisa de sangue pra doer.

E agora, senhoras e senhores, o número mais esperado do espetáculo: os mágicos do Congresso Nacional, com seus ternos caros e rostos emoldurados por cinismo, puxam da cartola o Fundo Partidário. A plateia esperava coelho… e saiu um porquinho gordo de R$ 1,3 bilhão! Isso mesmo! Em tempos de filas no SUS, escolas com goteiras e merenda parcelada, os nobres parlamentares decidiram que a inflação não deve comer só o pão do povo — ela também deve engordar a festa dos partidos. É o circo da democracia tropical, onde o voto do pobre banca a champanhe do político.

A lona então se estende até Buenos Aires, onde Cristina Kirchner troca o palácio pela tornozeleira, a faixa presidencial por correntes invisíveis. Prisão domiciliar: o cárcere dos privilegiados. “Porque tem mais de 70 anos”, dizem. No entanto, a corrupção não envelhece. Nem se aposenta. Apenas muda de endereço e de pulseira.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, Donald Trump brinca de guerra como quem ensaia um filme de ação de quinta categoria. Avalia bombardear o Irã — como quem avalia o cardápio do caos — e, em troca, o Irã promete devolver o “agrado” com mísseis americanos de brinde. O mundo assiste, de camarote incinerado, à arrogância de um homem que confunde ego com exército. E se depender de Trump, o G7 será apenas a sétima temporada do apocalipse.

No fim do espetáculo, entre pipocas queimadas e palhaços tristes, a pergunta ecoa pelo picadeiro planetário:
“Quem é que escreve esse roteiro? E por que tanta tragédia precisa vir embrulhada em tanta hipocrisia?”

Na plateia da vida, restamos nós — com nossos corações feitos de esperança reciclada, tentando rir para não chorar, tentando amar num mundo que às vezes se especializa em queimar pontes e plantar cinzas.

Mas, como em todo bom circo, sempre haverá uma criança na arquibancada acreditando que o mágico existe.

E essa criança… ainda somos nós.

Fim do espetáculo.
Amanhã tem mais. Porque o Brasil… ah, o Brasil é aquele picadeiro onde a lona é furada, mas o povo ainda dança.


Por Antonio Glauber Santana Ferreira