POESIA

🌿 Japaratuba – Coração do Vale Cotinguiba 🌿

🌿 Japaratuba – Coração do Vale Cotinguiba 🌿
Publicado em 12/06/2025 às 3:08


Por Antônio Glauber Santana Ferreira

Japaratuba, alvorada de brumas e fé,
Brotaste do chão como cântico em prece,
No ano em que a dor fez os frades andarilhos,
Teu solo abraçou-os — e assim teces-te.

Teu nome ecoa em sons do tupi encantado:
Ajuntamento de japaras, verdes sussurros,
Entre margens molhadas e sombras benditas,
És rio, és mata, és passado murmurando aos muros.

No Vale do Cotinguiba, és jóia engastada,
Teu relevo — suave carícia de chão —
É palco de reisado, de chegança cantada,
Do cacumbi vibrando qual batida de coração.

Oh, terra de engenhos, de doçura e suor,
De povo negro, valente, que resiste e vive!
Patioba quilombola, raiz de memória e dor,
História que o tempo eterniza e revive.

Teus rios deslizam como versos em maré,
Do alto da serra à garganta oceânica,
E no brilho das águas, a cidade se reveste
De lendas, de festas, de essência orgânica.

Na lavoura, a cana dança com o vento,
No pasto, o gado rumina o destino rural,
Mas agora, entre brocas, o gás e o petróleo
Teu ventre revela um ouro sem igual.

Celeiro do folclore, berço de arte e emoção,
Dos cabacinhas saltando no riso da praça,
Do pastoril à chegança, vibrante tradição,
Da alma de um povo que o tempo não disfarça.

Nasces, pois, do barro sagrado da cultura,
Filha dileta da arte e da resistência,
Arthur Bispo do Rosário — em tua tessitura —
Tecia o infinito com pura consciência.

Antonio Garcia Rosa, no verso, te consagra,
Maria de Souza Campos, em memória, reluz,
E os mestres, os curais, os cantadores da saga
Fazem de tua história um cordel de luz.

Japaratuba, 54 léguas de saudade,
És perto do mapa, mas imensa em verdade.
És canto de rio, és povo em bravura,
És Sergipe pulsando em pura ternura.