CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Respeitável público, senhoras e senhores, palhaços, malabaristas, ilusionistas da política e do tempo!
Abram alas para o espetáculo circense do dia 17 de maio de 2025, onde a vida, esse picadeiro desgovernado, mistura poesia com poeira, foguete com esgoto, esperança com ressaca – e não falo só do mar.
A primeira cena se dá no litoral sergipano, onde Netuno ensaia sua fúria e lança ondas como se fossem chicotes em zigue-zague. A Marinha, qual arauto das tempestades, grita: “Cuidado, vem mar bravo por aí!” — como se o povo de Sergipe já não tivesse se afogado em outros tipos de ressacas, como as da economia, da saúde e da política. É o mar querendo ensinar aos homens que nem toda água é benção; às vezes, é aviso.
Enquanto isso, jovens sonhadores em Sergipe enfrentam outro tipo de onda: a do Preuni. É um aulão aqui, um simulado ali, e muitos corações batendo mais forte do que batida de tambor de escola de samba. Os meninos e meninas, guerreiros de mochila nas costas e olheiras nos olhos, lutam contra o dragão da desigualdade, montados nos cadernos e armados de esperança. Em tempos em que a educação quase sempre é tratada como número ou estatística, ver essa juventude querendo voar já é quase um milagre moderno.
E falando em voar, voou mesmo — mas lá do outro lado do mundo — um foguete chinês movido a… metano! Sim, senhoras e senhores, o mesmo gás que os bois soltam depois de um banquete de capim agora impulsiona satélites. A China, pragmática como um poema concreto, superou Musk e Bezos com um pum espacial. Um peido científico rumo às estrelas! É o fim da gasolina e o começo da era do arroto tecnológico.
Por aqui, voltamos à Terra, mais precisamente à Serra de Itabaiana, que respirou aliviada com a decisão do STJ de manter viva sua proteção ambiental. Um suspiro verde num planeta de pulmões inflamados. A natureza, essa senhora calada que grita em silêncio, agradece — embora continue sendo sufocada nos corredores do agronegócio e nos trilhos da ambição desenfreada.
Mas calma, o circo tem mais atos! A Mega-Sena acumulou — porque, claro, a esperança do pobre também gosta de fazer drama. Cem milhões de reais na terça-feira! E lá se vai a multidão de sonhadores, apostando na redenção numérica, enquanto o arroz sobe, o feijão some, e a conta do mês ri da nossa cara. Cada volante preenchido é um pedido aos deuses da estatística: “Me dá só um pedacinho desse bilhete premiado!”
E como se não bastassem as ondas do mar, uma nuvem de poeira resolveu engolir um bairro nos EUA. Engolir, sim, como quem diz: “Já que vocês engolem fake news, engulam isso também.” Foi a natureza respondendo, irônica e impiedosa, ao desmatamento, à indiferença e à arrogância humana. Do outro lado, na Argentina, a água veio como lágrima de tango, arrastando casas, corações e esperanças.
E em Sergipe? Ah, os municípios … recebem a segunda parcela dos recursos da concessão da água e do esgoto. É dinheiro que chega limpinho, mas que corre risco de virar lama na mão dos malabaristas do orçamento. Esperamos que dessa vez o esgoto não vá para o bolso errado e que a água, essa essência de vida, não seja só mais um número no extrato dos tubarões empresariais.
Fecho a cortina desta crônica com um pensamento que pinga do céu e escorre pelo chão: estamos entre tempestades e foguetes, entre crianças estudando e velhos políticos fazendo contas. Entre poeira e poesia, entre o real e o surreal. O mundo gira como um globo de cristal prestes a despencar das mãos de um mágico trapalhão.
Mas ainda assim, acreditamos. Porque crer é o que nos resta, enquanto o circo não desmonta e o espetáculo não termina.
Boa noite, Japaratuba. Boa sorte, planeta.




