ARTIGO
Os brasileiros ignóbeis defensores de Trump
Em tempos de exacerbada polarização, há quem escolha abraçar a ignorância como bandeira e a subserviência como virtude. Minha crítica em um vídeo postado por mim no Instagram ao ignóbil Donald Trump , figura que reiteradamente menosprezou o Brasil e os brasileiros, parece ter desnudado uma parcela alarmante de compatriotas que, em sua miopia patriótica, tomaram para si a defesa incondicional de um líder estrangeiro cujo histórico é marcado por desdém e desrespeito.
Esses defensores intransigentes, revestidos de uma falsa aura de patriotismo, exibem uma adoração cega que transcende a razão e flerta com a servidão voluntária. Talvez desconheçam o significado de termos como “dignidade nacional” ou “soberania”, preferindo inclinar-se aos pés de um líder que, sem hesitação, vilipendia o país que juram amar.
A crítica que proferi a Trump não foi um ataque ao acaso, mas um repúdio à sua postura condescendente, suas palavras ofensivas e sua visão distorcida do Brasil como mera peça descartável no tabuleiro geopolítico. No entanto, a reação de alguns brasileiros, que se lançaram em sua defesa como escudeiros fanáticos, revela um fenômeno ainda mais perturbador: a internalização da inferioridade, o desprezo por si próprios e a adoção do discurso do opressor.
Não me atingem os insultos daqueles que, por ignorância ou má-fé, preferem ser ecos servis em vez de vozes autênticas. A palavra “ignóbil”, que lhes cabe tão bem, resume a natureza de sua lealdade cega. Falsos patriotas, escondem-se sob a capa de defensores da nação enquanto traem, com cada palavra e gesto, os valores que deveriam proteger.
A crítica, sobretudo quando fundamentada, é um ato de coragem e amor à verdade. Já a defesa incondicional do indefensável é um atestado de mediocridade. Se ofendi a sensibilidade dos que veneram Trump como ídolo, lamento apenas pela cegueira que os aprisiona, não pelo impacto das minhas palavras. Meu compromisso é com a lucidez, a dignidade e o verdadeiro patriotismo, que não se dobra perante a arrogância de tiranos nem à pequenez dos seus seguidores.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE




