CRÔNICA
Justiça Cega, Surda e de Olhos Bem Abertos
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
02 de março de 2025
____________________________________________________________________________________________________________
Dizem que a Justiça é cega, mas, no Brasil, parece que ela usa óculos escuros de grife e enxerga muito bem… dependendo de quem está no banco dos réus. O martelo do juiz virou um instrumento de malabares, equilibrando sentenças que ora protegem criminosos, ora castigam inocentes. O roteiro? Um drama jurídico onde o bandido sai aplaudido e a vítima sai algemada.
Nos tribunais, o réu bem assessorado troca o terno por um semblante sofrido, derrama lágrimas tão bem ensaiadas que qualquer novela da Globo ficaria com inveja. O juiz, emocionado, se esquece das provas, dos fatos e até mesmo do Código Penal. “Pobre rapaz, uma vítima do sistema!”, diz ele, enquanto a verdadeira vítima assiste incrédula, esperando um mínimo de justiça que nunca vem.
E quando a decisão finalmente sai, a sensação de injustiça é tão gritante que até o Tiririca ficaria sério. A condenação? Regalias. O criminoso ganha progressão de pena, tornozeleira GPS (que só serve para avisar onde ele vai cometer o próximo crime) e uma série de benefícios que fazem parecer que vale mais a pena ser bandido do que cidadão de bem. Enquanto isso, quem trabalhou a vida inteira para comprar um carro simples precisa torcer para que um assaltante não o leve… ou pior, que a justiça não o culpe por reagir.
O problema não está só na balança da Justiça, mas em quem a segura. Erros grotescos se repetem, julgamentos políticos interferem, e o povo perde a confiança. A cada decisão absurda, a credibilidade da Justiça afunda mais rápido que um navio furado. O brasileiro aprendeu que pode ser preso por defender sua casa, mas o criminoso, esse sim, tem direito ao devido processo legal, uma audiência de custódia com cafezinho e um discurso sobre “ressocialização”.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: a Justiça brasileira está mais para um teatro do absurdo. E a plateia, composta por milhões de cidadãos honestos, só assiste, revoltada, enquanto os protagonistas do crime saem de cena rindo, impunes, prontos para o próximo ato.




