CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de março de 2025
São José, Títulos Perdidos e Juros Astronômicos: Uma Oração em Crônica
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No calendário da vida, 19 de março abre alas com o perfume das últimas chuvas de verão e o fervor das preces ao bom e velho São José. Patrono dos trabalhadores, do lar e dos sonhos silenciosos, ele escuta as preces dos que pedem fartura e colheitas generosas. Mas será que ele também atende ligações de eleitores sem título e de endividados desesperados? Porque, se atender, já pode providenciar uma fila celestial.
Em Sergipe, cerca de 45 mil eleitores estão prestes a virar almas penadas eleitorais, fantasmas sem direito a voto, exilados do sagrado tabuleiro democrático. E pensar que tem político por aí que adoraria que essa multidão esquecida não comparecesse às urnas. Menos votos, menos trabalho, menos risco. São José, dá uma força para essa turma regularizar o documento, porque em tempos de eleição, título de eleitor vale mais que ouro – pelo menos para quem ainda acredita na democracia.
E por falar em economia, os juros brasileiros, que até ontem eram os imperadores do ranking mundial, resolveram tirar férias. Caíram para a quarta posição, perdendo o trono para Turquia, Argentina e Rússia. Mas não se enganem: estar fora do pódio não significa que os juros brasileiros deixaram de ser predadores vorazes do bolso do cidadão. Eles seguem firmes, mordendo cada centavo, devorando sonhos de casa própria, carro novo e até mesmo aquele simples parcelamento da feira do mês. A economia é um jogo de cartas marcadas, onde o povo sempre perde a aposta.
Enquanto isso, a União lança mais um programa de renegociação de dívidas, como um vendedor esperto que primeiro eleva o preço para depois oferecer um “descontão”. São José, ilumina os endividados! O povo aceita qualquer parcelamento, desde que o boleto caiba no bolso e a conta do mercado não vire um milagre da multiplicação às avessas. Até porque, milagre de verdade anda escasso – quem dera o salário também fosse renegociado e parcelado em suaves prestações, com juros negativos e correção inflacionária retroativa a tempos mais justos.
Mas nem tudo são espinhos na coroa desse 19 de março. Do outro lado do oceano, o Vaticano traz notícias de que a saúde do Papa Francisco dá sinais de melhora. Suspenderam a ventilação mecânica e reduziram a oxigenação de alto fluxo. É como se o próprio Espírito Santo soprasse ar puro nos pulmões do pontífice, enquanto os fiéis agradecem e os cardeais respiram aliviados. Que São José continue intercedendo, porque, neste mundo de incertezas, até os santos precisam de reforço celestial.
E assim segue a marcha do tempo: entre títulos cancelados, dívidas empacotadas e juros que brincam de montanha-russa, o Brasil segue sua via-sacra diária. Mas que São José nos proteja, pois se depender só dos homens de terno e gravata, nossa redenção ainda está longe de ser anunciada.




