CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 31 de março de 2025

“Março Fecha a Cortina, Mas Deixa a Luz das notícias Acesa”

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 31 de março de 2025
Publicado em 31/03/2025 às 20:53

As manchetes do último dia de março de 2025

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Março fechou as cortinas como quem encerra um espetáculo de drama, suspense e tragédia com leves pitadas de poesia, esperança e ironia. E nesta segunda-feira (31), último ato do mês, o mundo virou manchete de si mesmo: praias limpas, cérebros reciclados, bolsos esvaziados, safras fartas, placas tectônicas impiedosas e velhas rivalidades geopolíticas reencenando a mesma ópera bufa.

Na Praia do Refúgio, em Aracaju, o mar ganhou afagos de mãos humanas em vez de plásticos sufocantes. O projeto de limpeza veio como um sopro de sensatez em tempos onde o planeta mais parece um lixão a céu aberto do que um lar. Enquanto alguns sujam com fúria, outros limpam com amor — como se a Terra fosse um corpo ferido, e cada bituca recolhida fosse um ponto de sutura no pulmão azul do mundo.

E por falar em pulmões, eles vão respirar mais caro. Os remédios, esses alquimistas da modernidade que prometem curar tudo — menos o preço —, amanheceram com o ego inflado. Subiram como se tivessem engolido fermento e agora pesam feito chumbo no orçamento dos doentes. O CMED diz que é teto. O povo diz que é tapa. E o bolso, coitado, esse já vive na UTI, à base de esperança intravenosa e oração genérica.

Mas nem só de dor vive o noticiário: a Universidade Federal de Sergipe abre as portas da sabedoria para a terceira idade. É como se a vida dissesse: “não acabou, apenas mudou de fase”. Velhos de rugas, mas jovens de alma, agora poderão brincar de aprender outra vez. O Unatise vem como flor que brota em tronco antigo, provando que o tempo pode enrugar a pele, mas nunca a vontade de saber.

Lá fora, o mundo parece girar em outra rotação. No Irã, Trump brinca de fósforo perto de poço de petróleo, e o aiatolá promete devolver na mesma moeda — ou melhor, no mesmo míssil. A geopolítica virou jogo de birra, onde dois senhores de cabelos grisalhos disputam quem tem o botão mais vermelho. Enquanto isso, Mianmar chora suas perdas após o terremoto de 7,7 na escala Richter. A Terra, que um dia foi chamada de “mãe”, agora treme como quem grita “me deixem em paz!”.

Na Espanha, a mina de carvão virou cemitério. Cinco operários não voltaram para casa. Quatro ainda carregam nas costas o peso da rocha e da injustiça. O carvão, esse ouro negro do passado, cobra caro dos que cavam por ele — e o progresso ainda não soube substituí-lo sem sacrificar vidas.

Mas nem só de tragédia se faz o cenário. A soja brasileira, embalada pelo samba do dólar valorizado, está em festa. Rende como nunca, floresce como poema de Cecília Meireles. E enquanto o Ibovespa despenca como folha em outono financeiro, o campo floresce, lembrando que o Brasil, apesar de tudo, ainda alimenta o mundo — mesmo que seus filhos passem fome.

Ah, março… tu te vais como um velho contador de histórias: deixas um rastro de esperança na beira do mar, um suspiro de sabedoria nos corredores da universidade, um soluço de dor no epicentro do terremoto, e um grito de alerta nas entrelinhas da política mundial.

E assim nos despedimos de ti, mês de equinócios e desequilíbrios, com os pés na areia limpa e os olhos marejados. Porque o mundo é esse livro onde as manchetes são as entrelinhas de nossas vidas.

E amanhã é abril… que venha com menos tremores, mais livros, menos guerras e mais abraços.