CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 31 de janeiro de 2025

O Grande Espetáculo do Último Ato de Janeiro

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 31 de janeiro de 2025
Publicado em 01/02/2025 às 13:10

As notícias do dia 31 de janeiro de 2025

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


E o palco de janeiro se fecha com pompa e tragédia, com cortinas de esperança e holofotes de desilusão. Hoje é Dia Mundial do Mágico, mas a vida, essa grande ilusionista, tem nos pregado truques dos mais amargos e surreais.

No picadeiro da capital sergipana, a Prefeitura de Aracaju anunciou mais uma troca no comando do Hospital Nestor Piva. Um contrato emergencial foi puxado da cartola, prometendo uma nova gestão. Mas, entre um coelho e outro, a plateia já não sabe se a mágica resolverá o caos ou apenas trocará os rostos dos prestidigitadores. Afinal, nos bastidores da saúde pública, o que mais se conjura são promessas, enquanto a plateia – ou melhor, os pacientes – esperam ansiosos por um milagre que nunca vem.

E por falar em truques, os MEIs receberam um presente de grego: a contribuição previdenciária vai aumentar a partir de fevereiro. O truque é clássico: começa-se com um número promissor – “seja seu próprio patrão!” – e termina com a famosa “mãos ao alto, repassem mais dinheiro ao sistema!”. O mágico do governo faz desaparecer o poder de compra e, em troca, entrega um tapete voador cheio de impostos.

Enquanto isso, o Unicef revelou uma realidade que não pode ser escondida sob uma capa de veludo: a insegurança alimentar em Sergipe cresceu nos últimos dez anos. O truque da fartura só funciona na televisão; no mundo real, muitos mal têm um pão para dividir. A plateia assiste, perplexa, ao show da desigualdade, onde alguns banqueteiam e outros mastigam ilusões.

E como toda grande apresentação tem seu lado trágico, hoje o palco da vida manchou-se de vermelho em Japaratuba. Geni Pedrerinho foi assassinado com golpes de faca, em um enredo que já se tornou comum: violência, descaso e lágrimas no final. Nossos sentimentos para toda família. Em outra cena, um trabalhador perdeu a vida eletrocutado em plena montagem de um show em Aracaju. No circo da realidade, quem constrói o espetáculo raramente colhe os aplausos.

E os ventos da fatalidade sopraram também em Capela, onde o irmão do ex-prefeito Manoel Sukita, Alcelo Santos perdeu a vida em um acidente de trânsito. O destino, esse mágico cruel, não avisa quando decidirá fazer seu grande truque final.

Mas o Brasil, como bom espetáculo de contrastes, sempre tira da cartola um alívio cômico. Neymar, o eterno garoto da Vila, está de volta ao Santos. O craque retorna como se fosse um mágico de Vegas que decide encantar a velha plateia de um circo de bairro. O torcedor santista vibra, mas os mais céticos se perguntam: será um ato de redenção ou apenas mais um show pirotécnico para distrair da dura realidade?

E, para provar que a vida também tem seus números de esperança, o IBGE revelou que a taxa de desemprego caiu para 6,6%, o menor patamar da história. Entre mágicas e manipulações estatísticas, o fato é que milhões de brasileiros encontraram uma ocupação. O truque agora será transformar empregos precários em dignidade real, sem fumaça nem espelhos.

No campo da tecnologia, o ensino brasileiro começa a integrar a inteligência artificial. Professores se tornam domadores de algoritmos, tentando ensinar em um mundo onde o aluno aprende mais com máquinas do que com gente. A pergunta que fica é: quem comandará o show? A inovação ou o caos?

Mas nem só de truques locais vive o espetáculo da vida. Nos EUA, um avião caiu perto de um shopping e explodiu como se fosse o grand finale de um filme de ação – só que sem dublês. No Equador, um terremoto de magnitude 5,7 fez a terra tremer, lembrando que, no palco da natureza, os humanos não passam de figurantes.

E, como num passe de mágica que demorou tempo demais, a passagem de Rafah, entre Gaza e Egito, será reaberta. No circo geopolítico, os acordos de cessar-fogo são como números de escapismo: uma hora o mágico sai das correntes, noutra ele some no abismo da guerra.


E assim, senhoras e senhores, encerramos mais um janeiro. Entre mágicas frustradas, números impressionantes e tragédias que nos lembram que a vida não tem ensaios, seguimos para fevereiro. O espetáculo não pode parar. Mas, ao contrário dos mágicos, nós sabemos que a realidade não se resolve com um passe de mágica.

O show continua. Que venha o próximo ato.