CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 30 de outubro amanheceu com gosto de café frio e cheiro de servidor público em apuros. Sergipe acordou com o despertador da desconfiança tocando alto — e o eco veio de Laranjeiras e Nossa Senhora das Dores. O Ministério Público de Contas resolveu abrir a cortina das planilhas e descobriu um baile de cifras dançando fora do compasso: mais de vinte milhões de reais em débitos previdenciários, valsando entre colunas e colchetes como se fossem notas musicais de um concerto da irresponsabilidade. A Receita Federal, coitada, virou detetive contábil — farejando números como um cão farejador de zeros escondidos.
Enquanto isso, a Polícia Militar de Sergipe apagou as velinhas dos seus 190 anos. Um senhor de farda e bigode, que já viu de tudo: dos tempos de cavalo e espingarda ao PIX e ao drone. Recebeu homenagens, promoveu soldados e sorriu com o mesmo semblante de quem defende um povo que às vezes não sabe se teme ou agradece. O tempo fez da PM uma espécie de avó severa: rígida, mas protetora; cansada, mas ainda disposta a cuidar do nosso estado chamado Sergipe.
Do outro lado da linha de energia, o governo inventou uma nova MP — e não, caro leitor, não é “Mensagem de Paz”. É “Medida Provisória” mesmo, dessas que mexem com o bolso e com a conta de luz. Mudaram a forma de calcular o preço do petróleo e prometeram arrecadação mais gorda. Gorda pra quem, não disseram. No país das promessas, o contribuinte é sempre o peru de Natal do capitalismo energético: paga a farofa, mas não senta à mesa.
E no hotel de Brasília, o maior ataque hacker do país — cometido em 30 de junho — foi digitado entre travesseiros e frigobar. Um bando de gênios do mal, transformando o teclado em arma e o PIX em assalto silencioso. O quarto virou laboratório da trapaça moderna: o Wi-Fi como cúmplice, o notebook como comparsa e o espelho como testemunha. O Brasil assistiu, boquiaberto, ao espetáculo dos R$ 813 milhões evaporando em cliques, comprovando que o crime digital é o novo cangaço, só que com fone Bluetooth e cafezinho Nespresso.
Enquanto isso, no céu da Flórida, um avião resolveu brincar de montanha-russa. A JetBlue perdeu altitude de repente — um mergulho súbito que fez o coração dos passageiros despencar mais rápido que as ações da confiança. Feridos, gritos e orações preencheram a cabine. A bordo, cada um lembrava que, na vida, não há botão de “modo avião” pra escapar do destino.
E, no tabuleiro global, Trump e Xi Jinping assinaram uma trégua — o tipo de paz que cheira mais a contrato do que a aperto de mão. Prometeram reduzir tarifas, trocar soja e suspender restrições, como dois vizinhos briguentos que dividem o mesmo muro, mas não o mesmo quintal. O Brasil, como sempre, olha o jogo de longe, tentando entender se é convidado ou figurante na novela das potências.
O mundo gira entre acordos e abismos, e o Brasil, coitado, continua tentando segurar o volante sem perder o freio. Laranjeiras tem contas a ajustar, hackers têm contas a receber, e o povo tem contas a pagar.
Mas ainda há quem sorria — o policial promovido, o passageiro sobrevivente, o agricultor que sonha vender soja pra China. No meio desse enredo caótico, o riso é resistência e a esperança, teimosa como um sabiá cantando em poste de energia.
Porque no Brasil de 2025, até a crise tem senso de humor.




