CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No tabuleiro de xadrez da sexta-feira, 30 de maio, as peças se movem com a destreza de um mágico embriagado, que troca o chapéu por um capacete de obras e se perde entre escândalos e fogueiras juninas. Enquanto o forró se ensaia para 63 dias de coreografias e amores temporários, o Brasil se veste de quadrilha: tem casamento na roça, mas também tem casamento de interesses escusos.
O policial penal que, em vez de guardar as chaves do castelo, abriu a porta para o contrabando de sonhos proibidos, virou personagem de novela sem final feliz. No enredo das instituições, a corregedoria promete rigor – mas sabemos que promessas são como balões de São João: sobem aos céus e, muitas vezes, estouram antes de encantar a multidão.
Em Aracaju, a viga despencou como a moral de certos governantes: um operário ferido, um Brasil que ainda finge não ver o perigo que ronda as obras mal planejadas. O trânsito virou frevo e quadrilha ao redor da Praça Fausto Cardoso, onde o Forró Caju vai esquentar corações e bolsos – porque segurança tem preço e polícia tem cronograma. A cidade virou labirinto de cones e buzinas, um carrossel que gira ao som da sanfona e do tilintar dos impostos.
O PIB e o emprego, esses bailarinos vaidosos, dançam no palco do crescimento, mas o governo já sente o suor frio na testa: as contas públicas são uma sanfona desafinada, que geme quando deveria cantar. A renda do brasileiro, altaneira como bandeirolas coloridas, tremula ao vento, mas o medo é que a inflação seja a fogueira que consome essa chama de esperança.
No SUS, o governo, como um bom animador de quermesse, promete especialistas em cada barraquinha: carretas que mais parecem carros de boi modernos, consultas empilhadas como pamonhas em festa de interior. Mas o povo, esse povo paciente e paciente, espera que dessa vez a fila não seja o eterno cordel de espera e frustração.
Enquanto isso, o prefeito de Palmas dança outra quadrilha: a venda de sentenças virou dança de salão, onde cada passo pode custar uma fortuna – e cada tropeço, um escândalo. A Polícia Federal toca a zabumba da investigação, mas quem vai comandar a sanfona do povo é o voto, esse sanfoneiro que se perde entre a melodia da ética e o arrasta-pé dos interesses.
Lá longe, no tabuleiro internacional, Trump ameaça o Irã com suas bombas verbais – uma quadrilha global em que cada casal parece brincar de guerra e paz. No meio das nuvens chinesas, um parapentista voou além das altitudes permitidas, como quem desafia a gravidade de um mundo que teima em cair. E, nas ruas da África do Sul, um elefante-marinho provou que até os oceanos têm seus foliões: invadiu o asfalto, roubou a cena e nos lembrou que a vida é sempre um forró improvisado.
E assim termina a sexta-feira, com o Brasil sacudindo a poeira da vergonha e vestindo a camisa xadrez do humor, da crítica e da esperança. Porque, no final das contas, somos todos sanfoneiros de um país que insiste em tocar a vida, mesmo quando as notas desafinam.
Que a fogueira acesa não seja de escândalos, mas de sonhos que iluminam. E que a quadrilha da vida nos ensine que a maior dança é aquela que fazemos de mãos dadas com a justiça e o coração.




