CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de junho de 2025

Junho de 2025 foi embora.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de junho de 2025
Publicado em 01/07/2025 às 6:42


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Junho, esse velho boêmio que dança forró com a meteorologia e acende fogueiras no coração do povo, resolveu dar seu último suspiro com uma salada de emoções: de gols a granizos, de explosões a declarações, de drones a dramas. O mês se despediu como quem sai da festa derramando quentão no tapete, tropeçando em promessas e deixando no ar um cheiro de pólvora, pipoca e política.

Comecemos pelos gramados — o último palco onde ainda se permite acreditar em milagres. O Fluminense, esse cavaleiro tricolor da esperança, empunhou sua espada de chuteira e, com os pés mágicos de Cano e Hércules (nome digno de mitologia!), venceu ninguém menos que a Inter de Milão. Não foi apenas uma vitória, foi um samba sobre a arrogância europeia, um gol no orgulho de quem acha que só camisa pesada pesa no futebol. O Tricolor vai agora enfrentar o Al-Hilal, aquele cavalo árabe envenenado de petrodólares que ousou derrubar o Manchester City em um jogo mais louco que final de novela mexicana.

Enquanto as redes balançavam na grama estrangeira, as águas resolviam fazer samba em Sergipe. O céu virou torneira de São Pedro e prometeu despejar 50mm por dia — uma bênção para o mato seco, mas uma ameaça para a sola furada dos esquecidos das margens. O Inmet avisa com a mesma frieza de quem diz “boa sorte” no vestibular: “Se der ruim, ligue pro 199”. É o Brasil da chuva agendada e da resposta terceirizada.

E por falar em queimaduras… mais de 50 pacientes queimados só em junho no Huse. Ah, o São João! Festa linda, cultura viva, mas também laboratório de pólvora para amadores. Em vez de fogueira, virou fogão humano. Arraiá não é hospital, minha gente, e fogos não são brinquedos. O milho assado virou pele tostada. Cadê a educação popular? Virou fumaça.

A ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros ainda mora no reino das promessas. O edital sairá em agosto, dizem — como quem jura que agora vai, igual político em época de eleição ou ex-namorado pedindo mais uma chance. Enquanto isso, o trânsito segue dançando carimbó em cima de ponte estreita, viaduto velho e paciência gasta.

E por falar em sangue… Sergipe está com os estoques mais baixos que a autoestima de quem paga imposto e não vê retorno. O Hemose grita por ajuda, mas o povo parece mais disposto a doar opinião nas redes sociais do que plaquetas no banco de sangue. Cirurgias e tratamentos dependem disso — vidas escorrem como a última gota de um frasco vazio, implorando por empatia.

Do outro lado do mundo, o corpo de Juliana Marins deve chegar ao Brasil. Triste final para mais uma brasileira que virou estatística fora de casa. O governo promete nova autópsia, como quem tenta remendar um véu rasgado de luto com fio de burocracia.

E o governo, esse maestro de impostos e desafinações, resolveu aumentar as alíquotas sobre carros elétricos e híbridos. “É para proteger a indústria nacional”, dizem, como se o brasileiro médio tivesse uma Tesla na garagem e o Brasil, fábricas brotando da terra como mandioca. Mas a verdade é que o cidadão só quer fugir do posto de gasolina com o bolso ainda respirando.

E a ópera tributária continua no Supremo. O Planalto, que diz não querer briga, entra no STF para salvar seus decretos sobre o IOF. Barroso joga a batata quente no colo de Alexandre de Moraes, que agora precisa decidir o que fazer com esse imposto que ninguém entende mas todo mundo paga.

Enquanto isso, a tragédia não tira férias: uma explosão na Índia mata 36 em uma fábrica farmacêutica. Gente trabalhadora, com sonhos e calos, virou número nas manchetes. O mundo, esse grande laboratório de descaso, segue testando o quanto a dor humana cabe num gráfico.

E na vitrine do absurdo geopolítico, Kim Jong-un, com olhos marejados (será lágrima ou encenação?), cobre caixões de soldados norte-coreanos mortos na guerra da Rússia. Uma cena tão surreal quanto poética: o ditador acariciando caixões como quem afaga a própria insanidade. Um tratado militar com Moscou sela o teatro, e o mundo assiste em silêncio… ou desinteresse.

Na Argentina, a Justiça dança tango com os direitos e decide que Milei não pode limitar greve com decreto. Uma vitória da democracia, um sopro de alívio em meio à ventania autoritária.

E a China? Ah, a China! Inventou o “drone mosquito”, um inseto cibernético, um espião voador que parece saído de um filme do 007. Pequeno, discreto, letal. Uma tecnologia tão sofisticada que só falta aprender a tirar selfie. O futuro bate à porta com asas metálicas e um zumbido que avisa: estamos sendo vigiados até pela poeira.

E assim, junho desce do palco com seu figurino de espantalho: remendado de esperanças, encharcado de lágrimas, perfumado de pólvora, costurado com metáforas. O mês vai embora, mas as perguntas ficam:
Quem cuida dos que queimam? Quem chora pelos que partem? Quem sangra com os que precisam? Quem cala diante dos drones? E quem, afinal, vai segurar o guarda-chuva quando o Brasil desaba em nós?

Fica o eco. Fica o samba. Fica a crônica.
E amanhã… é julho que vem.