CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de junho de 2025
Junho de 2025 foi embora.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Junho, esse velho boêmio que dança forró com a meteorologia e acende fogueiras no coração do povo, resolveu dar seu último suspiro com uma salada de emoções: de gols a granizos, de explosões a declarações, de drones a dramas. O mês se despediu como quem sai da festa derramando quentão no tapete, tropeçando em promessas e deixando no ar um cheiro de pólvora, pipoca e política.
Comecemos pelos gramados — o último palco onde ainda se permite acreditar em milagres. O Fluminense, esse cavaleiro tricolor da esperança, empunhou sua espada de chuteira e, com os pés mágicos de Cano e Hércules (nome digno de mitologia!), venceu ninguém menos que a Inter de Milão. Não foi apenas uma vitória, foi um samba sobre a arrogância europeia, um gol no orgulho de quem acha que só camisa pesada pesa no futebol. O Tricolor vai agora enfrentar o Al-Hilal, aquele cavalo árabe envenenado de petrodólares que ousou derrubar o Manchester City em um jogo mais louco que final de novela mexicana.
Enquanto as redes balançavam na grama estrangeira, as águas resolviam fazer samba em Sergipe. O céu virou torneira de São Pedro e prometeu despejar 50mm por dia — uma bênção para o mato seco, mas uma ameaça para a sola furada dos esquecidos das margens. O Inmet avisa com a mesma frieza de quem diz “boa sorte” no vestibular: “Se der ruim, ligue pro 199”. É o Brasil da chuva agendada e da resposta terceirizada.
E por falar em queimaduras… mais de 50 pacientes queimados só em junho no Huse. Ah, o São João! Festa linda, cultura viva, mas também laboratório de pólvora para amadores. Em vez de fogueira, virou fogão humano. Arraiá não é hospital, minha gente, e fogos não são brinquedos. O milho assado virou pele tostada. Cadê a educação popular? Virou fumaça.
A ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros ainda mora no reino das promessas. O edital sairá em agosto, dizem — como quem jura que agora vai, igual político em época de eleição ou ex-namorado pedindo mais uma chance. Enquanto isso, o trânsito segue dançando carimbó em cima de ponte estreita, viaduto velho e paciência gasta.
E por falar em sangue… Sergipe está com os estoques mais baixos que a autoestima de quem paga imposto e não vê retorno. O Hemose grita por ajuda, mas o povo parece mais disposto a doar opinião nas redes sociais do que plaquetas no banco de sangue. Cirurgias e tratamentos dependem disso — vidas escorrem como a última gota de um frasco vazio, implorando por empatia.
Do outro lado do mundo, o corpo de Juliana Marins deve chegar ao Brasil. Triste final para mais uma brasileira que virou estatística fora de casa. O governo promete nova autópsia, como quem tenta remendar um véu rasgado de luto com fio de burocracia.
E o governo, esse maestro de impostos e desafinações, resolveu aumentar as alíquotas sobre carros elétricos e híbridos. “É para proteger a indústria nacional”, dizem, como se o brasileiro médio tivesse uma Tesla na garagem e o Brasil, fábricas brotando da terra como mandioca. Mas a verdade é que o cidadão só quer fugir do posto de gasolina com o bolso ainda respirando.
E a ópera tributária continua no Supremo. O Planalto, que diz não querer briga, entra no STF para salvar seus decretos sobre o IOF. Barroso joga a batata quente no colo de Alexandre de Moraes, que agora precisa decidir o que fazer com esse imposto que ninguém entende mas todo mundo paga.
Enquanto isso, a tragédia não tira férias: uma explosão na Índia mata 36 em uma fábrica farmacêutica. Gente trabalhadora, com sonhos e calos, virou número nas manchetes. O mundo, esse grande laboratório de descaso, segue testando o quanto a dor humana cabe num gráfico.
E na vitrine do absurdo geopolítico, Kim Jong-un, com olhos marejados (será lágrima ou encenação?), cobre caixões de soldados norte-coreanos mortos na guerra da Rússia. Uma cena tão surreal quanto poética: o ditador acariciando caixões como quem afaga a própria insanidade. Um tratado militar com Moscou sela o teatro, e o mundo assiste em silêncio… ou desinteresse.
Na Argentina, a Justiça dança tango com os direitos e decide que Milei não pode limitar greve com decreto. Uma vitória da democracia, um sopro de alívio em meio à ventania autoritária.
E a China? Ah, a China! Inventou o “drone mosquito”, um inseto cibernético, um espião voador que parece saído de um filme do 007. Pequeno, discreto, letal. Uma tecnologia tão sofisticada que só falta aprender a tirar selfie. O futuro bate à porta com asas metálicas e um zumbido que avisa: estamos sendo vigiados até pela poeira.
E assim, junho desce do palco com seu figurino de espantalho: remendado de esperanças, encharcado de lágrimas, perfumado de pólvora, costurado com metáforas. O mês vai embora, mas as perguntas ficam:
Quem cuida dos que queimam? Quem chora pelos que partem? Quem sangra com os que precisam? Quem cala diante dos drones? E quem, afinal, vai segurar o guarda-chuva quando o Brasil desaba em nós?
Fica o eco. Fica o samba. Fica a crônica.
E amanhã… é julho que vem.




