CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de julho de 2025
Publicado em 31/07/2025 às 11:16

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Na quarta-feira que amanheceu com véus de luto e céu encoberto de saudade, Japaratuba perdeu uma de suas estrelas mais antigas. Meu padrinho, o bom José de Sá, pegou o trem do tempo e embarcou na eternidade. Partiu feito passarinho que aprende a voar com as próprias asas no momento exato em que o mundo silencia. Um homem de fé, de fala mansa e coração aberto como janela em tarde de ventania. Deixou em mim, e em tantos outros, um eco de lembranças e uma saudade com cheiro de café coado no pano e benção sussurrada.

Enquanto o céu chorava em silêncio por seu José, aqui na Terra o caos dava gargalhadas nas estradas de Sergipe. Caminhões formavam filas quilométricas, como procissão de penitentes esperando milagre. A supersafra de laranja virou drama cítrico: um ouro frutado sem estrada para brilhar. O suco da incompetência escorreu pelos pneus, e a logística mostrou que, no Brasil, o futuro sempre empaca no acostamento. A fruta da prosperidade amadureceu, mas o caminhão da eficiência… enguiçou.

Do outro lado do mundo, um tsunami resolveu fazer cosplay de vilão de filme-catástrofe em pleno Japão. Uma família capixaba, que só queria tirar selfies com cerejeiras e comer sushi com nome impronunciável, recebeu um alerta que mais parecia recado do Apocalipse: “corram, que o mar vem dançar lambada em terra firme”. E lá foram eles, fugindo do invisível com a alma na mão e o coração batendo no modo terremoto. Ironia das férias modernas: você junta milhas o ano todo pra acabar fugindo de Poseidon de férias também.

Já nos Estados Unidos da América do Norte (sempre ele, o vizinho barulhento do planeta), o ex-presidente Donald ‘Spray Tan’ Trump fez mais um número no picadeiro geopolítico. Depois de jogar um tarifaço de 50% na nossa cara, resolveu abrir a cortina das exceções. Ah, Trump! Um artista! Diz que fecha a porta, mas deixa a janela escancarada. Faz birra, mas entrega balinha depois da bronca. O famoso “diz que vai, mas fica”. O Brasil apanha, mas ainda é convidado pro baile.

Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes entrou para o “hall dos sancionados” com a Lei Magnitsky. Um nome chique, quase aristocrático, mas que na prática soa como um carimbo vermelho na testa diplomática. O homem que combate fake news e golpistas foi carimbado pelos EUA como vilão de novela estrangeira.

No fim do dia, entre a saudade de um padrinho que virou memória e as manchetes que pareciam roteiros de tragédia com pitadas de comédia involuntária, percebo que o Brasil é mesmo um país de contrastes: a terra onde a laranja apodrece na beira da estrada, mas ainda se sonha com exportação; onde o mar ameaça invadir férias e o calor político gera nevascas morais; onde a diplomacia tropeça em banana split de interesses internacionais.

E aqui fico, entre lágrimas e solidariedade, segurando firme o cabo do barco nesta travessia chamada quarta-feira. A memória do padrinho me aquece como coberta de retalhos feita de bençãos e ternura. E o resto… bem, o resto é Brasil sendo Brasil: um espetáculo tragicômico onde o palco nunca esfria e o próximo ato promete mais do mesmo — com uma pitada de espanto e outra de esperança.

Descanse em paz, meu padrinho.
Enquanto isso, seguimos tentando colher laranjas no asfalto rachado do cotidiano.