CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Na terça-feira, o calendário despertou com gosto de ácido cítrico, como se tivesse mordido um morango fora de época, desses vendidos a preço de ouro em bandejas plastificadas sob a vigilância do Procon. E sim, senhoras e senhores, até o morango — outrora símbolo da inocência vermelha e do verão adolescente — virou artigo de luxo, quase um diamante cultivado na roça. Aracaju virou campo de batalha da fruta: consumidores em transe, vendedores com cara de quem carrega pepitas rubras, e fiscais com pranchetas afiadas como lanças contra o abuso econômico.
Enquanto isso, da terra dos Coliseus e das massas al dente, veio a notícia que fez o Brasil salivar de sarcasmo: Carla Zambelli foi presa na Itália. Sim, a musa dos escândalos, a bailarina do bolsonarismo tardio, caiu. E não foi tropeçando nos próprios tweets — foi de cabeça, num salto ornamental diplomático. Ah, Itália! Tua pizza tem molho, mas tua Justiça tem molho de tomate ácido. O país que pariu o Direito moderno, agora embala a deputada em papel timbrado internacional, como se dissesse: “Aqui, a cidadania tem molho, mas não livra da panela.”
Zambelli tentou se esconder atrás da cortina da dupla nacionalidade, mas a jurisprudência italiana, como uma nonna brava, puxou a orelha da neta desgarrada e avisou: “Se a alma é mais brasileira que o café passado, então a conta será paga em reais — ou melhor, em extradição.” A novela é longa, como toda tragédia italiana, mas quem sabe a Interpol não faz o papel de Cupido entre os tribunais e a moralidade?
Enquanto a política fervia, a Terra, essa senhora temperamental e esquecida, resolveu dar um espirro de proporções bíblicas. Um terremoto de magnitude 8,8 chacoalhou os alicerces do planeta. A Rússia, o Japão e o Havaí sentiram o estremecer da fúria geológica, como se o núcleo da Terra tivesse gritado: “CHEGA!” — talvez cansado de tanta injustiça na crosta. Um tsunami galopou as ondas como cavaleiro do apocalipse salgado, levando alertas e orações à beira-mar.
No Japão, onde até os tremores dançam com elegância sísmica, sirenes cantaram canções de medo. No Havaí, o paraíso virou suspense de cinema-catástrofe. E na Rússia, até o gelo tremeu, talvez pelo susto ou pelo peso das guerras mal resolvidas.
O planeta nos lembrou, com um abalo na espinha dorsal, que somos folhas secas no outono cósmico. E enquanto isso, aqui na Terra Brasilis, ainda há quem ache que o maior tremor é a alta do tomate na feira.
Mas voltemos ao morango, que virou estrela de manchete. Ele, que deveria adoçar a vida, agora amarga o bolso. O mesmo bolso que já foi furado por gasolina, gás de cozinha e mensalidades escolares. O Procon virou guardião dos pequenos direitos, mas também símbolo daquilo que não deveria precisar ser fiscalizado: o bom senso.
Ah, Brasil… enquanto tua Justiça persegue frutas e teus políticos tentam escapar pelos canos de esgoto diplomático, o mundo treme, literalmente. O chão grita, o mar engole, a natureza se rebela. E tu? Tu continuas vendendo morango a preço de filé mignon, e tratando cidadania como disfarce de supervilã de quinta categoria.
No fim do dia, sentei-me à mesa com minha filha, cortamos morangos ao meio, mergulhados em leite condensado e em esperança. Porque, mesmo em meio ao caos geopolítico e tectônico, ainda há poesia em ver uma criança sorrindo com o rosto lambuzado de doce.
E concluo, como quem planta palavras no concreto rachado:
Enquanto o mundo sacode e as máscaras caem, sejamos como os morangos honestos — doces por dentro, mesmo quando o preço lá fora tenta nos azedar.




