CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de abril de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Abril vai saindo de fininho, como aquele personagem de novela que fez muito barulho no começo, mas acaba escanteado nos últimos capítulos. Na tela da vida real, o roteiro continua repleto de surpresas, tragédias, ironias e, claro, ônibus velhos.
Enquanto o outono tenta se afirmar com suas folhas tímidas, em Aracaju, o transporte público parece saído de um museu do tempo — um acervo ambulante da decadência. Veículos com mais de 12 anos circulando como se estivessem em lua de mel com a fumaça e o barulho. A SMTT resolveu bater na porta da empresa, dizendo: “Ou renova a frota ou dança no samba da exclusão contratual!” É o mínimo. Afinal, quem anda nesses ônibus enfrenta uma trilogia de horror: calor, atraso e amortecedor vencido. O povo não quer mais carruagem da Cinderela versão sucata.
Mas se em Aracaju o problema é o ônibus, na Índia o problema é o medo. A terra das cores, dos mantras e das especiarias amarga o gosto do sangue derramado no vale da Caxemira, onde turistas viraram alvos. Vinte e duas vidas ceifadas por fanatismos que transformam paisagens em trincheiras. A beleza foi interditada. Fecharam os pontos turísticos como quem fecha os olhos pra não ver o horror. Um território disputado a unhas e bombas, enquanto o turismo, coitado, só queria vender lembrancinhas e paz.
E por falar em lembranças, há quem ainda guarde com carinho a memória de boletos pagos. E há os que tentam usar esse carinho como golpe! Um sujeito foi preso por usar o rosto dos outros para aplicar fraudes. Isso mesmo: um estelionatário do espelho. A face do crime agora é escaneada, catalogada e usada em nome da mentira. A biometria virou fantasia. E se antes bastava uma máscara para o golpe, hoje se baixa um app, faz uma selfie e pronto: o prejuízo sorri.
Enquanto isso, lá no Olimpo dos donos da mídia, uma movimentação silenciosa como as mudanças de peças num tabuleiro de xadrez: Carlos Henrique Schroder entrou para o Conselho do Grupo Globo. Os Marinhos, em suas poltronas de marfim, seguem como maestros de uma sinfonia onde a pauta é deles, o compasso é deles, e nós, a plateia, apenas batemos palmas — ou desligamos a TV. Mas cuidado: até os controles remotos já têm voz.
E como quem busca esperança em números, o brasileiro correu para a Mega-Sena. Só que a sorte passou direto, escorregou como sabão na mão suada. O prêmio acumulou. Onze milhões sorriem no cofre da Caixa, enquanto 37 mortais receberam R$ 48 mil como quem pega troco no fim do sonho. Jogar na Mega é como amar: exige fé, repetição e coragem de perder.
Abril se despede entre buzinas, bombas, biometria e boletos. Um mês que não foi poesia, mas que pediu crônica. Um mês que foi, ao mesmo tempo, coletivo lotado e ponto turístico vazio.
Seguimos com a caneta afiada e o coração atento, pois enquanto houver notícia, haverá crônica. E enquanto houver riso, haverá resistência.




