CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Num sábado enfeitado de esperanças tímidas e ventos de sarcasmo, o Brasil acordou no compasso das ironias da economia e no calor das contradições globais. Enquanto Sergipe assistia a mais um capítulo da novela “Inflação do Aluguel: A Queda”, os aeroportos do país protagonizavam o episódio “Voando Alto: O Povo Quer Céu, Mesmo Sem Chão”.
Sim, caro leitor, o aluguel baixou de novo em Sergipe — pelo segundo mês consecutivo. Parece até que os preços resolveram descer do salto, cansados de tantos aumentos desgovernados. Talvez os aluguéis tenham feito terapia coletiva e descobriram que humildade também paga conta. Ou então foi só o mercado fingindo generosidade, como quem dá desconto na faca depois de cortar a carne.
Enquanto isso, os aeroportos brasileiros, esses salões de embarque da esperança e da ansiedade, bateram recorde de movimento. Mais de 10 milhões de passageiros em três meses seguidos. Parece que o Brasil virou o novo destino do escapismo: gente fugindo dos boletos, da política, do calor, do frio… ou só da realidade mesmo. O país voa alto — nas asas do cartão parcelado, com direito a suco de laranja aguado e turbulência moral inclusa.
Falando em laranja, quem está em alerta da cor é a Espanha. A onda de calor por lá promete derreter até os castelos de areia da infância ibérica. 42ºC. Nem o Don Quixote aguentaria lutar contra esse sol. Os moinhos já estão girando por impulso térmico, e os ventiladores espanhóis se aposentaram por exaustão. Ah, Europa, onde o verão virou sauna e o turista vira churrasquinho!
E do outro lado do Atlântico, Trump — aquele eterno protagonista de memes e manuais de populismo — continua dando show na diplomacia do cotovelo. Faltando duas semanas para acabar a tal trégua de 90 dias nas tarifas recíprocas, os EUA firmaram apenas dois acordos comerciais. E o Brasil? Nem no banco de reservas. Parece que fomos convidados pro baile, mas barrados na porta por não usar gravata ou por esquecer o petróleo em casa.
Ah, Brasil, sempre querendo dançar forró em pista de gelo. Enquanto uns países selam acordos, a gente sela a tampa da marmita, esperando que o feijão dê lucro e que o arroz não vire item de luxo.
Mas a vida segue, como fila de embarque: lenta, confusa, cheia de trocas de portão. Que a inflação continue dando ré, que os voos levem sonhos e tragam esperanças, que a Espanha se refresque com poesia e que o Brasil, um dia, entre nas listas certas — não só nas dos memes e das promessas não cumpridas.
Porque, no fim, viver é isso: uma ponte aérea entre o cansaço e a teimosia, com escala na fé. E, mesmo sem acordo com os Estados Unidos, seguimos firmes… com um “jeitinho” na mala e um “vamos ver no que dá” no coração.
Boa viagem, Brasil. Só não esquece de levar protetor solar… e juízo.




