CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 28 de fevereiro de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 28 de fevereiro de 2025
Publicado em 01/03/2025 às 15:46

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O último dia de fevereiro, como um folião cansado, retira a máscara e sai de cena, deixando um rastro de confetes e caos pelo caminho. O tempo, esse velho brincalhão, dança entre a folia das escolas e os sustos da maré, enquanto a política, como um bloco desgovernado, segue tropeçando na própria percussão de escândalos e disputas.

Nas ruas de Japaratuba, o Emilifolia o bloco da Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura e o bloco da Escola Estadual José de Matos Teles desfilaram alegria, como se fossem os donos do tempo, como se a vida fosse eterna quarta-feira de cinzas. Mas o mar, sempre imprevisível, decidiu também sair para brincar. Elevou-se feito um gigante bêbado, lambendo as calçadas de Aracaju com um beijo salgado, alagando o Bairro 13 de Julho e deixando ribeirinhos com os pés boiando na incerteza. A Defesa Civil, com sua calma burocrática, anunciou que a água baixaria logo, como quem diz que o trovão já trocou o relâmpago pelo silêncio.

E por falar em tempestade, uma árvore cansada do peso dos tempos resolveu tombar na Zona Sul, interrompendo o trânsito e apagando as luzes como se quisesse um minuto de luto pelo país. A Energisa correu, a Emsurb suou, e o povo ficou ali, esperando a luz voltar, como sempre espera a justiça, a decência, o salário cair e a vida melhorar.

No palco das togas e martelos, um novo espetáculo: mais um magistrado afastado por um escândalo milionário. Dessa vez, Roger Luiz Paz de Almeida protagoniza a cena, suspeito de ajudar a retirar quase R$ 150 milhões da Eletrobras. Uma performance digna de Oscar, só que sem aplausos. O Conselho Nacional de Justiça segue podando juízes como quem tenta aparar ervas daninhas num jardim tomado pelo descaso. Mas será que a poda resolve? Ou as raízes do problema já atravessam os porões da República?

Enquanto isso, Barroso, como um maestro da Suprema Corte, regeu mais uma sinfonia de decisões: Zanin e Dino continuam no palco, mesmo sob vaias do lado derrotado. O pedido para afastá-los era como um sambista tentando mudar a música no meio do desfile – mas o enredo já estava escrito.

E falando em dinheiros guardados e promessas de resgate, o governo anunciou que os trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário do FGTS poderão finalmente pôr as mãos no que é deles. Uma espécie de festa surpresa onde o bolo é seu, mas só te deixam pegar uma fatia depois de muita negociação. O povo, esse eterno aniversariante de um país que nunca sopra as velas, recebe com um misto de alívio e desconfiança os R$ 12 bilhões prometidos.

Na tecnologia, o PIX por aproximação estreia como um novo dançarino no baile da modernidade. Agora, basta um toque para o dinheiro mudar de mãos – rapidez que o Brasil adoraria ver no SUS, na educação e na entrega das promessas de campanha. Mas, por enquanto, seguimos pagando por aproximação e esperando o progresso por longas distâncias.

Enquanto aqui se dança entre crises e migalhas, lá fora, um baile diferente acontece. Zelensky, Trump e Vance resolveram transformar a Casa Branca em um ringue de UFC geopolítico. A Ucrânia, a Rússia, a Polônia – cada um puxando o ritmo para um lado, e o mundo assistindo de camarote, sem saber se a próxima música será um tango diplomático ou um rock de sanções e explosões.

No meio do embate, a Europa ergue a taça para Zelensky, enquanto a Rússia o chama de mentiroso. No grande baile da guerra e da paz, cada um escolhe sua máscara, seu discurso, seu parceiro. E nós, meros espectadores, seguimos dançando no fio da navalha, torcendo para que a história não repita seus piores passos.

E assim fevereiro se despede, deixando no asfalto as pegadas da folia, nos tribunais os rastros da corrupção, nas ruas os ecos da água e das quedas, e na política internacional o som de vozes que gritam, mas não se ouvem. Amanhã é março, e o Brasil segue seu desfile, tentando não perder o compasso.

Que venha o próximo ato.