CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de junho de 2025

O giro de notícias do dia 27 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de junho de 2025
Publicado em 28/06/2025 às 10:20


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Na praça da vida, o sino bateu mais triste no coração de Japaratuba. José Américo, o popular e inesquecível Cimeca, partiu deixando a Filarmônica Euterpe Japaratubense calada, a música, o sorriso em silêncio e a saudade dançando sozinha no salão da memória. A crônica de hoje começa com luto e termina com luta. Porque entre o adeus e os absurdos, há sempre espaço para a esperança de um Brasil menos caricato e mais compassivo.

Enquanto Cimeca fecha os olhos, Sergipe abre a porteira para o galope das vaquejadas legalizadas. Os deputados estaduais, montados em seus palanques de couro e promessa, aprovaram o projeto de lei que regulamenta a prática. Prometeram rédea curta para os maus-tratos. Mas será que boi com dor tem quem escute? No fundo da arena, a poeira da cultura se mistura ao sangue da ética, e o berrante da razão parece estar desafinado.

No Arraiá do Povo, enquanto o forró esquenta a noite, as mãos falam mais que a boca: intérpretes de Libras traduzem os shows, provando que inclusão não é favor — é direito vestido de respeito. Em meio a tanta exclusão institucionalizada, essas mãos que dançam no ar são poesia viva num Brasil que ainda tropeça no básico.

O INSS, com sua burocracia em trajes de festa junina, resolveu abrir atendimento extra para o BPC no fim de semana. Serão 200 vagas para avaliação social e 300 para perícia médica. Parece bondade, mas tem cheiro de emergência eleitoral. A fila do sofrimento é longa, e o benefício, curto. Enquanto isso, o povo rebola entre o “sim” e o “indeferido”, sem saber se vai dançar forró ou marchar para mais uma negativa do sistema.

Mas nem tudo é falta de energia: em Aracaju, a prefeita Emília Correia anunciou 15 novos ônibus elétricos. Milagre verde sobre pneus! Quem diria, a capital sergipana trocando fumaça por esperança. Agora só falta carregarem a consciência política com a mesma bateria que move os veículos.

E por falar em movimento, a PF foi visitar o armário do ex-prefeito de Paratinga, e encontrou um verdadeiro baú do tesouro — mais de R$ 3 milhões empilhados como pão de sal em dia de feira. Dinheiro que deveria alimentar escolas, hospitais, projetos sociais… mas que dormia escondido, como um segredo sujo debaixo do tapete do poder. STF autorizou a operação, mas o povo pergunta: quando será autorizado o fim da impunidade?

Enquanto isso, o presidente Lula sancionou a “CNH Social” — uma carta de alforria motorizada para quem sempre sonhou em dirigir, mas só teve carona com a necessidade. Agora, com o dinheiro das multas, o povo poderá tirar a habilitação. Ironia ou justiça? Multado ontem, habilitado amanhã. A vida é mesmo uma rotatória de paradoxos.

E no polo gelado do planeta, a Dinamarca fez ecoar tambores militares na Groenlândia, com caças, tropas e fragatas. Tudo isso para afastar o fantasma russo e mostrar aos EUA que o iglu é deles. O mundo, esse tabuleiro de War disfarçado de geopolítica, joga xadrez com gelo e pólvora. Mas a peça mais frágil, como sempre, é o povo, que não move tropas, mas sofre com as consequências.

Entre o luto de Cimeca e o luxo ilícito do ex-prefeito, entre o boi da vaquejada e o povo no ônibus elétrico, o Brasil segue: um país de contrastes, feito cordel moderno, onde o verso mais difícil ainda é o da justiça. Que nossas lágrimas virem chuva fértil e nossas críticas, semente de mudança. E que o músico talentoso que silenciou em Japaratuba ecoe como resistência.

Até a próxima linha, com mais poesia, mais crítica e, quem sabe, menos tristeza.
Termino essa crônica com meus sinceros sentimentos às amigas Clécia, Geane e a toda a família.
Neste momento de dor, envio meu abraço solidário, minha oração e o desejo de que a fé e o amor fortaleçam seus corações.
Que Deus conforte cada um de vocês com paz e esperança.