CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de outubro de 2025
Publicado em 27/10/2025 às 15:01

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O domingo, 26 de outubro de 2025, acordou com cheiro de suspense e ironia no ar — um perfume misto de cachoeira, helicóptero e diplomacia de novela. O céu de Itabaiana amanheceu dramático, desses que parecem cenário de cinema em câmera lenta, quando a trilha sonora se cala e só se escuta o coração batendo.

Lá, no Parque Nacional da Serra, a natureza fez sua prece silenciosa: uma mulher foi resgatada desacordada na Cachoeira Véu de Noiva — ironia do destino, talvez, porque nem toda queda de amor tem final romântico, e nem todo véu cobre a face da tragédia.

O helicóptero do Grupamento Tático Aéreo rasgou o céu como asa de anjo moderno — ou de Ícaro arrependido — levando não apenas uma vida, mas o próprio fôlego da montanha. O vento levantou folhas, orações e lembranças. A Serra de Itabaiana, testemunha muda, chorou com gotas de garoa e esperança. A mulher, que dormia entre pedras e mistérios, foi salva — e talvez tenha acordado com o som das hélices misturado a um sermão da vida:

“Nem todo mergulho é renascimento; às vezes é aviso.”

Enquanto isso, bem longe das águas e das serras, na Malásia, dois personagens de um roteiro surreal apertaram as mãos: Lula e Trump — a diplomacia feita carne, verbo e divergência — se encontraram. A notícia dizia que a reunião foi “ótima”. O planeta Terra observou curioso, como se assistisse a um eclipse político: o sol da esquerda tentando iluminar o muro da direita.

Ali estavam os dois: o operário e o bilionário, o sindicalista e o magnata, o cafezinho brasileiro e o hambúrguer americano. Conversaram sobre tarifas, sanções e, quem sabe, sobre o preço de um bom circo diplomático. Porque, no fundo, a política é isso: um teatro de máscaras onde cada ator finge que governa, enquanto o público finge que acredita.

E no palco ao lado — o da ArgentinaJavier Milei fazia pose de maestro no caos. Seu partido, com mais de 40% dos votos, venceu as eleições legislativas. A Argentina, esse tango eterno entre a esperança e o abismo, dançou de novo com o liberalismo selvagem. Milei sorriu, a bolsa subiu, o peso caiu — e o povo, coitado, continua fazendo contas com lágrimas e empanadas.

“La libertad avanza”, diz o slogan.
Mas avança pra onde? Pro futuro ou pro penhasco?

O continente sul-americano, se fosse um poema, hoje rimaria “cachoeira” com “tarifa” e “liberdade” com “labirinto”. Do alto do helicóptero sergipano às praças de Buenos Aires, o vento político sopra confuso. O mundo parece uma novela escrita por muitos roteiristas: um quer drama, outro quer comédia — e o espectador, esse personagem invisível chamado povo, continua tentando entender o enredo.

Mas há sempre poesia na confusão. Itabaiana mostrou que, entre quedas e resgates, ainda há mãos que salvam. Lula e Trump provaram que o impossível pode tomar café juntos — mesmo que em xícaras diferentes. E Milei lembrou que a liberdade, quando perde o juízo, pode virar fera em pele de cordeiro.

O dia 26 foi, enfim, um mosaico de contrastes: helicópteros salvando vidas, egos tentando salvar economias e discursos tentando salvar o mundo. A humanidade segue nesse balé desequilibrado entre tragédia e comédia — mas, como bom brasileiro, ainda há quem aplauda de pé, acreditando que no próximo ato o final será melhor.


Porque viver, afinal, é isso:
Cair e ser resgatado,
discutir e tentar conciliar,
votar e continuar sonhando.

E entre um abismo e outro, rir
porque o riso é o único idioma que ainda nos salva.