CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de março de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de março de 2025
Publicado em 27/03/2025 às 0:42

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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A cidade pulsa em sua sinfonia cotidiana de buzinas, passos apressados e manchetes bombásticas. O sol nasce, mas não ilumina certas decisões, apenas as expõe. Eis que o dia 26 de março de 2025 nos serve um banquete de absurdos, um prato principal de ironia e uma sobremesa de reflexão amarga.

Primeiro, temos a saga dos patinetes elétricos em Aracaju. Ah, os patinetes, modernos corcéis urbanos, alazões da modernidade que, ao invés de nos levarem ao futuro, tropeçam na falta de bom senso. Enquanto os motoristas lutam contra engarrafamentos bíblicos, ciclistas tentam não ser engolidos pelos ônibus e pedestres exercem a arte da esquiva, os patinetes dançam descompassados entre calçadas e avenidas. E agora, a SMTT entra na cena, qual domador em um circo desgovernado, tentando impor ordem a essa anarquia sobre rodas. Boa sorte. Se não conseguimos educar condutores de veículos de duas toneladas, que dirá os cavaleiros elétricos da imprudência?

Enquanto isso, na BR-235, Itabaiana arde – não em paixão, mas em chamas. O fogo, voraz como um discurso inflamado de político em campanha, consome vegetação, outdoors e paciência. O Corpo de Bombeiros, heróis de uniforme e mangueira, apaga o incêndio físico, mas quem apaga o fogo da negligência ambiental? A cada labareda que sobe, um grito de socorro da natureza se perde no vento. E seguimos, como sempre, culpando o clima, a falta de sorte, o destino… menos nós mesmos.

E falando em fogo, Brasília pegou fogo político. Jair Bolsonaro agora é réu, acusado de tentativa de golpe de Estado. A primeira turma do STF votou por unanimidade, um feito raro, um eclipse jurídico. O ex-presidente, que já foi mito para uns e miragem para outros, agora encara a fria realidade das cortes. Seus aliados, outrora valentes estrategistas, agora são peças de um tabuleiro que já não controlam. Resta a pergunta: golpe de mestre ou xeque-mate?

E do outro lado do oceano, Donald Trump, com seu inseparável talento para a geopolítica de barbearia, decide que a Groenlândia deveria ser “deles”. “Temos que ficar com ela”, disse ele, como se fosse um brinquedo perdido no chão da história. A ilha, já acostumada ao gelo, agora lida com o calor das tensões diplomáticas. Se Trump pudesse, talvez sugerisse trocá-la por um vale-compra ou um ingresso para um de seus comícios. Mas, enquanto ele sonha com novas aquisições, a humanidade segue vendendo seu bom senso a preço de banana.

E assim seguimos, entre patinetes desgovernados, florestas em chamas, golpes frustrados e delírios expansionistas. O dia 26 de março de 2025 entra para a história como mais um capítulo da nossa tragicomédia contemporânea. E nós? Seguimos como espectadores, torcendo para que, um dia, a manchete seja diferente.