CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de janeiro de 2025
As lágrimas e os sorrisos do 26º dia de janeiro de 2025 entre jacarés capturados, dignidades algemadas e vidas reconstruídas.
As Manchetes do 26º dia de janeiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Os cenários da realidade dançam hoje com a ironia crua de um enredo improvável, onde os coadjuvantes são um jacaré perambulando pela Zona Sul de Aracaju e uma flor-cadáver exalando sua peculiar fragrância podre em terras australianas. De um lado, a criatura ancestral que testemunhou eras geológicas, e de outro, humanos ávidos por um aroma que, curiosamente, ninguém quer em casa. A vida, sempre sarcástica, nos lembra que o extraordinário e o bizarro caminham lado a lado.
Enquanto isso, no palco da diplomacia, a dignidade brasileira é algemada em voos transnacionais. A deportação dos 88 brasileiros dos Estados Unidos, tratados como pacotes sem alma, desperta ecos de revolta. O Brasil protesta, exige explicações, mas o que parece ecoar é o ruído oco de uma “cortina de fumaça” política. A questão que fica no ar, como a poeira levantada por essas algemas invisíveis, é: a soberania nacional ainda encontra espaço em um mundo onde a dignidade é esticada ao limite?
E, do outro lado do mundo, um corredor humano se forma em Gaza, como um rio de vidas tentando reencontrar seu leito. Palestinos retornam ao norte, carregando nas costas a poeira da guerra e nos olhos um brilho de esperança desgastada. O acordo entre Israel e Hamas é um suspiro frágil no meio do caos, como uma ponte de corda sobre um abismo. O peso da história, porém, ameaça cada passo dado.
Já em terras sergipanas, a captura do jacaré vira manchete, como se Aracaju fosse palco de um improvável safári urbano. É quase uma metáfora para os dias em que vivemos: um animal fora de contexto, perdido em um ambiente que não lhe pertence, assim como nós, às vezes, vagamos perdidos em sistemas que parecem devorar o que temos de mais essencial.
E como se não bastasse a tragicomédia cotidiana, surgem as vítimas de um falso advogado em Sergipe. Golpistas, com suas vozes aveludadas e palavras cuidadosamente ensaiadas, enganam quem já está fragilizado. No teatro dos absurdos, a ingenuidade é um bilhete de entrada para o sofrimento. Enquanto isso, a Polícia Civil pede cautela, mas o estrago já foi feito, e as lágrimas das vítimas mancham o palco da realidade.
Para encerrar o ato, a morte do médico Fedro Portugal em Aracaju nos traz um ar de saudade e reverência. Cinquenta e seis anos de dedicação à dermatologia deixam um legado que é um lembrete de que, no meio de tanta incerteza, ainda há aqueles que semeiam cuidado e amor em seus ofícios. Uma existência que se encerra, mas não sem deixar raízes profundas.
Por fim, a flor-cadáver na Austrália, com sua exuberância mórbida, parece nos provocar: que beleza buscamos? E, mais importante, a que custo? Talvez, em dias como este, a reflexão seja o aroma que realmente precisamos, mesmo que o caminho para encontrá-lo seja, muitas vezes, árduo e desagradável como a fila para ver uma planta que exala podridão.
E assim, seguimos, jacarés capturados, dignidades algemadas e vidas reconstruídas. O mundo é, afinal, uma crônica viva de contrastes, escrita com tinta de ironia e pinceladas de emoção.




