CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de fevereiro de 2025

O tribunal das ilusões e o novo velho mundo

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de fevereiro de 2025
Publicado em 27/02/2025 às 11:20

As notícias do dia 26 de fevereiro de 2025

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Se alguém dissesse que, em pleno 2025, um veterano de guerra teria que lutar contra o próprio túmulo, diriam que era roteiro de ficção científica. Mas eis que a vida, essa roteirista impiedosa, colocou o sergipano ex-combatente Jorge dos Santos num duelo surreal: provar que está vivo para um sistema que já lhe deu baixa definitiva. É a batalha do século – um veterano centenário contra um cartório teimoso.

A certidão de óbito é a nova baioneta, e o inimigo não usa farda, mas carimbos e assinaturas. O homem que sobreviveu às trincheiras da Segunda Guerra agora enfrenta burocratas de terno e crachá, que insistem em matá-lo no papel. E como todo guerreiro, Jorge resiste. Se fosse nos tempos antigos, já o teriam declarado santo: São Jorge dos Cartórios, padroeiro dos que lutam contra a papelada infernal.

Enquanto isso, em outro campo de batalha, 29 advogados alistaram-se na guerra do “Quinto Constitucional”. A arena é o TJSE, e a espada que empunham é a eloquência. As promessas soam como hinos de bravura, mas o povo, acostumado a tantas epopeias jurídicas, assiste sem fôlego. Afinal, no final dessa odisseia, sempre há uma toga esperando por alguém, mas raramente por quem mais precisa dela.

E por falar em toga, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) segue na dança das cadeiras do poder. Em Brasília, os deuses da Educação observam de longe, como se fossem Zeus decidindo o destino dos mortais acadêmicos. As listas tríplices já foram enviadas, mas o MEC – esse oráculo caprichoso – pode escolher quem quiser, porque democracia universitária no Brasil às vezes é como campeonato de pontos corridos onde quem faz mais gols nem sempre leva a taça.

Lá na terra dos cowboys, o Velho Oeste ressurge com um novo xerife: Donald Trump. De volta ao palco como um empresário que sempre amou tarifas mais do que amores sinceros, ele agora quer taxar a União Europeia em 25% e apertar o laço sobre México e Canadá. No novo faroeste financeiro, quem não pagar pedágio leva chumbo econômico. “Make America Great Again”, ele grita, enquanto o resto do mundo segura a carteira.

E no Brasil? Bem, por aqui, o pós-carnaval promete mais do que ressaca e abadá sujo. O governo diz que “o sistema está redondo” para liberar o consignado para CLTs com garantia do FGTS. Ah, que maravilha! Agora, o trabalhador pode pegar dinheiro emprestado tendo como garantia o próprio dinheiro que um dia deveria protegê-lo. É como dar seu guarda-chuva ao banco em dia de chuva, porque ele promete te devolver assim que o sol sair.

No final, o país segue seu desfile de absurdos. Tem gente viva que precisa provar que não morreu, tem eleição onde só alguns podem escolher, tem tarifas que dizem proteger, mas que sufocam, e tem empréstimos que parecem ajudar, mas só enterram mais fundo.

Mas o Brasil sempre foi um carnaval sem quarta-feira de cinzas. Aqui, o bloco dos Iludidos segue desfilando, ao som do samba desafinado da burocracia, da política e da economia. E o povo, esse incansável folião, segue dançando – nem sempre por alegria, mas porque parar não é opção.