CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de abril de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de abril de 2025
Publicado em 26/04/2025 às 23:12

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No sábado de um abril derramado em lágrimas e esperanças, o mundo colocou sua melhor roupa de tristeza para acompanhar o último cortejo de um jardineiro de almas: Papa Francisco, o camponês de ternura, desceu à terra não como quem morre, mas como quem planta.
Sob o manto de Santa Maria Maggiore, sua última morada, Francisco se deitou no colo da história, abraçado por flores brancas carregadas por crianças – mensageiros de pureza numa Terra tão cansada de guerras e negociações obscenas.

Enquanto 400 mil corações sopravam preces ao céu e líderes mundiais tentavam disfarçar seus farrapos de paz costurados às pressas, a maré das emoções batia forte também aqui, em Aracaju, onde a Defesa Civil, como uma mãe preocupada, avisava: “Se a água subir, não brinque de ser barco, meu filho. Ligue para o 199.”

E quem diria? Enquanto o Papa Francisco no caixão repousava diante da Virgem, Trump e Zelensky, os meninos travessos da política mundial, sussurravam promessas de paz como quem combina travessuras no recreio. Em São Pedro, eles apertaram mãos suadas, cada um com um mapa na cabeça e um sorriso plastificado no rosto, encenando a peça “A Paz que Convém”.

No Brasil, país onde a esperança é sempre sorteada e nunca sorteada, a Mega-Sena debochou do povo mais uma vez, acumulando como um avarento que coleciona sonhos alheios. O prêmio agora promete R$ 8 milhões, o equivalente a algumas dezenas de viagens de Collor à Lua ou, quem sabe, à prisão domiciliar de seus devaneios.

Falando nele, Collor, o velho maratonista da Justiça, corre agora atrás de uma tornozeleira dourada. A defesa, em mais um drible de salão jurídico, pintou o ex-presidente com as cores do transtorno bipolar – como se a bipolaridade justificasse a pilhagem de esperanças e cofres públicos. Ah, Brasil, pátria que perdoa até quem rouba a última fatia do bolo na festa dos pobres!

E enquanto a maré subia nas ruas e nas veias dos sergipanos — que entre a saudade do Papa e a água nos joelhos, tentavam manter o espírito seco — lá longe, na Rússia, Putin, com seu sorriso de ferro, anunciava que Kursk voltava a ser seu brinquedo de guerra, como uma criança mimada que toma de volta o carrinho que emprestou ao coleguinha.

Sábado, 26 de abril de 2025:
O dia em que sepultamos um Santo e exumamos nossos vícios.
O dia em que os oceanos choraram, os poderosos posaram e os pequenos rezaram.
O dia em que, entre rezas e marés, seguimos tentando não naufragar nesse barco furado chamado humanidade.

Francisco partiu como o último bom pastor a segurar o cajado de ternura em um rebanho desgarrado. E nós, os carneirinhos teimosos, ficamos aqui, tentando, entre uma enchente e outra, encontrar terra firme para nossas almas ensopadas de saudade e esperança.

Que a paz não seja apenas o aperto de mãos entre egos inflados, mas o abraço verdadeiro entre corações humildes.
Que o legado de Francisco seja, mais que palavras, sementes.

E que saibamos, mesmo diante das marés altas da vida, lançar âncoras de fé, construir pontes de afeto e remar, remar, remar… até onde a esperança nos levar.