CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de março de 2025
"Silêncios que Gritam: 25 de Março nas Entrelinhas"
O circo de notícias do dia 25 de março
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Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No picadeiro do Brasil, mais um 25 de março entrou em cena, vestindo-se com a tradicional fantasia de promessas elétricas, impostos confessados, pedaladas recicláveis, juros que crescem como mato em terreno abandonado, e um julgamento que bate à porta de quem jurava nunca bater continência à verdade.
Aracaju, ah, Aracaju… decidiu botar 161 milhões de reais no carrinho do futuro — um carrinho elétrico, é claro. Vinte vereadores apertaram o botão verde da esperança, enquanto quatro levantaram as sobrancelhas e disseram: “Será mesmo?” Vai ter ônibus elétrico cortando a cidade como serpentina moderna, carregador pendurado como fio dental tecnológico e uma usina solar a brilhar mais que discurso de campanha. Tomara que tudo isso não vire enfeite de vitrine sem estoque — ou pior: motor sem bateria e promessas sem fio.
Enquanto isso, 24 mil almas já confessaram seus pecados fiscais na Receita Federal. Cada CPF uma oração, cada declaração um salmo de sobrevivência. O povo corre pra prestar contas com o Leão, mas o Leão não corre pra prestar contas com o povo. Curioso esse zoológico tributário.
E numa Aracaju que tenta reinventar a roda com consciência ecológica, surgem as bicicletas elétricas para a coleta de material reciclável. Uma pedalada rumo à utopia da sustentabilidade — que seja mais do que pose de Instagram e menos do que escorregão em promessas. Que os recicladores não pedalem em vão e que a energia gire também na direção da dignidade.
Lá em Brasília, no templo do dinheiro emprestado, o Conselho decidiu que os aposentados podem pagar mais caro pelos sonhos parcelados. O teto dos juros subiu de 1,80% para 1,85%. Parece pouco, né? Mas para quem já conta moedas pra comprar remédio e arroz, é como subir escada rolante ao contrário: cansa, empobrece e não chega a lugar nenhum. O consignado virou carimbo de desespero.
E no palco da Justiça, a peça mais esperada ganha novos atos: o Supremo Tribunal Federal rejeitou os pedidos de adiamento da trupe bolsonarista. A plateia espera ansiosa: será que o capitão será réu ou continuará flutuando no mar da impunidade, pescando seguidores com isca de fake news?
Do outro lado do mundo, drones dançam sobre fronteiras como morcegos em noite de tempestade. Um ataque ucraniano feriu um russo em Belgorod. Antes disso, os russos atacaram a Ucrânia. O ciclo vicioso da violência segue como vinil riscado da história: toca, arranha, fere… e ninguém levanta a agulha.
O mundo gira, e a Terra — tão cansada das guerras, dos juros, das pedaladas sem rumo e das promessas elétricas — só quer um descanso. Mas os homens insistem em transformá-la em um tabuleiro de xadrez, onde reis nunca caem e peões morrem aos montes.
Hoje, o Brasil acendeu algumas luzes e apagou outras. Os ônibus elétricos podem até chegar, mas o que precisamos mesmo é de um país que carregue no peito mais empatia do que baterias, mais justiça do que juros, mais lucidez do que ideologias.
E quem sabe, um dia, os políticos também pedalem — não apenas nas propagandas, mas nas ruas, sentindo o vento na cara e o suor da realidade. Quem sabe assim deixem de legislar do alto de seus gabinetes refrigerados e comecem a pensar com o coração de quem anda a pé, paga boleto e ainda recicla o próprio sonho para não desistir da esperança.
Porque, no fim, o Brasil é isso: um país de gente que acorda todo dia tentando consertar com fita adesiva o que os governantes insistem em quebrar com marretas de promessas.
E seguimos…
Com fé, ironia e poesia no bolso — e a consciência no guidão.




